Por que os cosméticos coreanos fazem tanto sucesso no Brasil?

A febre do k-beauty conquista as cariocas, mas a receita para a glass skin esbarra em particularidades como a exposição ao sol, ao calor e à umidade

Por Renata Busch 18 set 2026, 09h03 | Atualizado em 18 set 2026, 16h44
Mulher asiática sorridente, com cabelo escuro preso, aplicando creme no rosto com a mão direita, sobre fundo azul claro
Mais de quarenta marcas made in Coreia são vendidas no Brasil: produtos representam 7% do mercado nacional (Imazins/Getty Images)
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Os doramas, séries coreanas, conquistaram espectadores em todos os continentes e ajudaram a popularizar comidas, despertaram o interesse pelo idioma e fizeram as reservas de hotéis em Seul dispararem nos últimos anos.

Por sua vez, as cútis de porcelana das atrizes também fizeram com que os produtos de skincare do pequeno país asiático virassem mania ao redor do globo. Atualmente, há mais de quarenta marcas vendidas em redes de varejo e nos e-commerces brasileiros, abocanhando 7% do mercado nacional, segundo estudo da consultoria Circana.

Famosas que compartilham sua rotina de beleza na internet também ajudam a alavancar as vendas.

Bruna Marquezine, por exemplo, é adepta dos discos de algodão que reduzem os poros, enquanto Carolina Dieckmmann já aplicou a máscara de colágeno de PDRN, um ativo regenerador extraído do esperma do salmão.

À esquerda, uma mulher loira sorridente com blusa preta e brincos dourados, encostada em parede de madeira. À direita, outra mulher com cabelo curto castanho, usando um vestido tomara que caia cinza escuro com detalhes na cintura, em fundo claro
As redes sociais moldam comportamentos: Carolina Dieckmmann e Bruna Marquezine são adeptas do k-beauty (Instagram @loracarola; Instagram @Brunamarquezine/Divulgação)
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A influenciadora Paula Saric se interessou pelos k-beauties ao rolar o feed do TikTok e aproveitou uma viagem aos Estados Unidos para testar algumas amostras. Logo virou fã.

“Não é simplesmente ter uma coleção de potinhos bonitos, existe muita pesquisa e tecnologia. Ao mesmo tempo, o cuidado com a pele virou uma coisa divertida. Adoro as máscaras coloridas”, conta.

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A influenciadora paula Saric não dispensa as máscaras coloridas: “O cuidado virou uma coisa divertida”, defende (Bruna Conceicao/Divulgação)
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Numa rápida busca no TikTok e no Instagram, a hashtag #glassskin (apelido para uma derme hidratada e luminosa, de aparência descansada) aparece mais de 4 milhões de vezes.

Não há dúvidas de que esse é mais um modismo incentivado pelo calibre das redes sociais. “Os tratamentos com produtos da Coreia do Sul prometem durabilidade e resultados mais visíveis e são, em média, 50% mais caros do que os tradicionais”, afirma Lígia Reis, fundadora do Grupo Rio Arte Dermatologia e Estética.

A empresária calcula que 40% dos procedimentos oferecidos pela clínica utilizem algum cosmético de origem coreana. Para entender o hype, a dermatologista Andreia Mateus voou para a Ásia e fez uma imersão nesse mercado.

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“Não quer dizer que são melhores, mas os coreanos trazem uma grande contribuição com a filosofia de manter a disciplina”, destaca. A criadora de conteúdo Lelê Burnier concorda. “Passei a prestar muito mais atenção à minha pele e a entender que uma boa maquiagem começa com o cuidado adequado”, reflete.

A fluidez das texturas é o símbolo da cosmética coreana, que explora ingredientes como centella asiática, mucina de caracol, água de arroz, própolis, niacinamida e chá verde. “Os géis, essências e protetores solares adaptam-se muito bem ao nosso cotidiano.

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Mas muitos pacientes acabam se perdendo em tendências de internet”, alerta a dermatologista Daniela Alvarenga, colunista de VEJA RIO.

“A mistura inadequada de ácidos pode causar queimaduras químicas e há outros riscos, como dermatite de contato, acne cosmética e disbiose da microbiota cutânea”, aponta, lembrando que é fundamental se consultar com um médico especialista.

Outro ponto de atenção é o exagero. No k-beauty, uma das práticas é o skincare em dez etapas. “Isso transmite a ideia da busca pela perfeição. Nós, brasileiros, estamos caminhando em outra direção, valorizando a diversidade.

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E aí, surge uma rotina de beleza que retrocede a aceitação da pele natural”, avalia o dermatologista Victor Bellizzi, que costuma publicar vídeos para esclarecer dúvidas dos pacientes. Ele lembra que uma rotina básica de cuidado precisa apenas de limpeza, hidratação e fotoproteção. O suficiente para se sentir bem na própria pele.

As duas faces

Vantagens e desvantagens da moda asiática

VALE A PENA

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✓ Estimula a criação de uma rotina de cuidados

✓ As texturas dos cosméticos são leves e agradáveis

✓ O skincare vira um momento de prazer

✓ Há uma grande variedade de marcas e opções

VÁ COM CALMA

! Alguns produtos não foram desenvolvidos para o clima quente e úmido do Brasil

! O skincare coreano pode incluir até dez passos, o que pode irritar peles tropicais

! Procedimentos estéticos são, em média, 50% mais caros

! Essa filosofia pode perseguir uma perfeição irreal

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