Capivara espancada na Ilha volta à natureza após longo tratamento
Animal foi agredido por um grupo de oito pessoas na Ilha do Governador, em março, e teve traumatismo craniano
A capivara que foi espancada por um grupo de oito pessoas na Ilha do Governador, no dia 21 de março, está recuperada e voltou para a natureza na tarde desta quarta (20). O animal, que sofreu traumatismo craniano e diversas outras lesões, foi solto pela Patrulha Ambiental da Secretaria de Meio Ambiente (Smac) em uma reserva na Zona Oeste, após ser tratado em uma clínica de reabilitação em Vargem Grande.
“Ela chegou em um estado grave, com um traumatismo craniano e uma lesão ocular grave. A gente conseguiu fazer uma recuperação completa. Infelizmente, o olho não foi possível salvar por causa de uma lesão grave na retina, que impediu que ela voltasse a enxergar. Mesmo assim, ela consegue retornar à vida livre”, explicou o veterinário Jeferson Pires.
A escolha do local de soltura levou em conta fatores como ser ali uma área de menor risco de atropelamento e com acesso restrito de pessoas, reduzindo a chance de a capivara sofrer estresse por excesso de visitação. Além disso, o espaço é ambientalmente protegido e com características populacionais da espécie que reduzem o risco de brigas territoriais.
A agressão contra a capivara, um macho adulto de cerca de 64 quilos, foi registrada por câmeras de segurança. O roedor foi encontrado com vida em um terreno baldio, sendo resgatado pela Patrulha Ambiental da Smac e encaminhado para a Clínica de Reabilitação de Animais Silvestres (Cras) da Universidade Estácio, em Vargem Pequena, após os primeiros socorros. O estado do animal era grave, com risco de morte. Foi necessário sedá-lo para a realização dos procedimentos iniciais.
A capivara é o maior roedor do mundo e costuma ter comportamento pacífico com outros animais e até mesmo com os humanos, quando vivem em áreas urbanas. No Brasil, o crime contra animais silvestres é regido, principalmente, pela Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/1998), que proíbe caçar, matar, apanhar, vender ou manter em cativeiro espécimes da fauna silvestre sem autorização, com penas de detenção de seis meses a um ano e multa. Maus-tratos, abusos ou ferimentos também são crimes, sujeitos a multa e detenção. Em casos de maus-tratos ou animais silvestres em risco, a orientação da secretaria é acionar a Central 1746.
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A secretária municipal de Meio Ambiente e Clima, Livia Galdino, destaca que os agressores são minoria na população da cidade: “A população do Rio, de modo geral, gosta, tem empatia e se preocupa bastante com os animais silvestres e domésticos. O que houve com esta capivara foi uma exceção”, diz ela, acrescentando que o trabalho da Patrulha Ambiental é de suma importância e que a Secretaria de Meio Ambiente está sempre à disposição para realizar a proteção de espécies da fauna e flora da cidade.





