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Meia porção! Como canetas emagrecedoras têm impactado restaurantes

O uso crescente de produtos como Mounjaro e Ozempic leva a mudanças de paradigma no setor gastronômico: os clientes querem comer menos e melhor

Por Alessandra Carneiro
6 fev 2026, 07h59 • Atualizado em 6 fev 2026, 15h15
Sushi with a colorful background
Pouca fome: a engenharia dos cardápios vai passar por adaptações, prevê consultoria do mercado de alimentação.  (Yagi Studio/Gettyimages/Divulgação)
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  • Não é conversa de mesa de bar: o efeito das canetas emagrecedoras já começou a aparecer nos pratos. Porções voltam pela metade, pedidos ficaram mais comedidos e a velha lógica de “comer até não aguentar mais” vem caindo em desuso.

    Impulsionado por medicamentos como Mounjaro, Wegovy e Ozempic, nomes comerciais da tirzepatida e da semaglutida, o movimento segue tendência global.

    Nos Estados Unidos, onde um em cada oito adultos afirma já ter usado remédios da classe GLP-1, segundo pesquisa da Kaiser Family Foundation (KFF), os restaurantes investem em porções menores e cardápios enxutos. No Rio, a transformação ainda acontece de forma menos explícita, sem virar regra, mas impossível de ignorar.

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    Mudança substancial: menos de um mês após a abertura, a Mare Mare passou a oferecer meio sanduíche (Rodrigo Azevedo/Divulgação)

    “A gente pensou em sanduíches grandes, mas logo percebeu que muitos clientes diziam não dar conta por fazer uso das canetas”, afirma Cláudio Gandelman, sócio do Mare Mare, no Shopping Leblon, especializado em panini. Menos de um mês após a abertura, a casa passou a oferecer meio sanduíche, que já responde por quase metade das vendas.

    Atento às mudanças no comportamento dos frequentadores, o Minimok abriu uma unidade no Leblon com menu exclusivo, que inclui combinados reduzidos. “Há um público que quer comer menos, gastar menos e fazer escolhas mais objetivas”, resume Eduardo Preciado, sócio do restaurante japonês.

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    Ao aumentar a sensação de saciedade, esse tipo de medicação chega a eliminar, em média, 20% do peso corporal e melhora o controle glicêmico (leia mais abaixo).

    Para quem passou a levar a picadinha na barriga, a redução do apetite interferiu mais no ritual do que no prazer de comer fora. “Eu saio para socializar, não para competir em volume. Agora, prefiro escolher algo menor, bem feito, pensado para a fome real”, reflete a empresária Elisa Treuherz, 38 anos, que há dois meses mudou os hábitos graças ao remédio.

    “Eu peço o mesmo de antes, mas como bem menos e acabo levando as sobras para viagem”, admite o biólogo Leonardo Vidal, 48 anos. Ele eliminou 12 quilos em doze meses.

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    Nos planos: Leonardo Diniz, sócio do RaizNutéla, na Tijuca, estuda a inserção de porções reduzidas no cardápio. (Tomás Velez/Divulgação)

    Empreendimentos que prezam pela fartura vêm fazendo as contas para se adaptar ao novo cenário. “Oferecemos pratos grandes, para dividir, mas já notamos que as pessoas estão preferindo opções menores. Estamos debatendo a inclusão da meia-porção no cardápio. Afinal, quem manda é o cliente”, resume Leonardo Diniz, sócio do bar tijucano RaizNutéla.

    Uma pesquisa da consultoria do setor de foodservice Galunion realizada no ano passado mostrou que 24% dos brasileiros já usaram ou pretendem experimentar medicamentos para emagrecer. Entre consumidores da classe A, o índice chega a 40%.

    “Isso impacta a frequência, o mix de consumo e até a engenharia dos cardápios. Muita coisa vai precisar ser repensada, desde as receitas até a forma de comunicar o prazer e o bem-estar relacionados à alimentação”, afirma Simone Galante, fundadora e CEO da empresa.

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    Para o endocrinologista Fabiano Serfaty, que acompanha pacientes em busca do shape afinado, o impacto é previsível. “O medicamento reduz o impulso, mas não educa escolhas. Há uma correção possível: comer menos e prestar mais atenção à saciedade”, afirma o médico.

    Segundo ele, refeições grandes passam a gerar desconforto, o que muda a relação com a comida. “É natural que restaurantes se adequem, mas porção menor não pode virar desculpa para prato pior ou preço cheio”, alerta.

    Enquanto bares e restaurantes ainda tateiam os ajustes, uma tendência é clara: as canetas emagrecedoras não são moda passageira, mas um fator real de transformação, inclusive na cultura gastronômica.

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    Apetite sob controle

    O endocrinologista Fabiano Serfaty explica como Mounjaro e afins atuam no organismo

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    Fabiano Serfaty: clínico-geral e endocrinologista, o médico é colunista de saúde, qualidade de vida, tecnologia e inovação médica em VEJA Rio. (Arquivo pessoal/Divulgação)
    • A tirzepatida, princípio ativo, imita a ação de dois hormônios produzidos naturalmente pelo intestino, o gLP-1 e o giP, envolvidos no controle do apetite e da glicemia.
    • O fármaco reforça sinais do intestino para o cérebro, pâncreas e estômago, reduzindo a ingestão calórica e aumentando a sensação de saciedade.
    •  Um dos efeitos mais importantes é o atraso do esvaziamento gástrico. A pessoa se sente satisfeita com menos comida.
    • Em parte dos pacientes, as refeições muito gordurosas causam desconforto, e fica mais fácil priorizar alimentos leves. Proteínas, vegetais, fibras e hidratação são fundamentais para todos os paladares.
    • Efeitos gastrointestinais são comuns, sobretudo no início do tratamento, como náusea e sensação de estômago cheio, o que limita a tolerância a grandes volumes de comida.
    • Há risco de interpretar o medicamento como solução isolada para perda de peso, sem mudanças reais de estilo de vida. É bom lembrar: músculos, sono e saúde mental não vêm na seringa
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