Versátil e atemporal, o broche ressurge em tapetes vermelhos e calçadas
O último relatório anual da plataforma Pinterest apontou aumento de 110% na procura por imagens desse ícone da joalheria
Na temporada de premiações do cinema, coroada com o Oscar, em meados de março, uma boa leva de atores e diretores que passaram pelos tapetes vermelhos ostentaram algo em comum: um broche na lapela.
Protagonista de O Agente Secreto e indicado ao prêmio de melhor ator, Wagner Moura fincou em seu paletó um delicado ramo prateado com pérolas.
A peça, inspirada na pomba da paz, foi elaborada pelo designer pernambucano André Lasmar.
Já Alice Carvalho ostentou um mapa invertido da América Latina na cor dourada, enquanto Gabriel Leone espetou diamantes em seu traje.
“O broche vai além do enfeite e transmite identidade de forma visual e imediata. É uma linguagem silenciosa que comunica quem a pessoa é e no que ela acredita”, analisa a curadora de estilo Cinthia Galvão.
A tendência, vale dizer, não se restringe às celebridades globais: o último relatório anual da plataforma Pinterest apontou aumento de 110% na procura por imagens do adorno, que voltou com tudo às vitrines de lojas de acessórios e joalheiras.
Foi longo o caminho para que o broche ganhasse o glamour de hoje. Nas antigas civilizações gregas e romanas, ele tinha caráter utilitário: servia para prender os pesados tecidos de mantos e capas.
Isso durou até o período renascentista, quando ganhou um banho de loja e virou acessório de luxo, confeccionado com metais e pedras preciosas.
Só na Era Vitoriana, no século XIX, eles foram transformados em joias com valor sentimental.
“Tenho um anjinho barroco de ouro antigo segurando um coração de prata que era da minha avó. É bem pequeno, prendo na gola de camisetas e sempre alguém vem me perguntar sobre a origem desse enfeite”, conta o jornalista Andrey Costa, 33 anos, morador da Tijuca.
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Fã desse tipo de ornamento, ele mantém uma caixa com vinte exemplares, e combina até com moletom.
“Quando quero destacar a peça, aposto numa roupa monocromática e num sapato mais clássico. Prendo na lapela ou uso no lugar da gravata”, ensina.
Para dar os primeiros passos nesse estilo, vale investir em materiais acessíveis, como crochê e resina, desde que o conjunto seja fiel à personalidade.
“A moda sempre revisita o passado e o broche confere um estilo vintage, transformando o que é velho em charmoso”, comenta Cinthia, a curadora de estilo.
Um dos caminhos para garantir exemplares diferenciados passa pelos brechós, que guardam preciosidades de época. Mas é possível entrar nessa moda sem gastar.
“O brinco pode sair da orelha para a lapela, criando um ponto de luz sutil e inesperado. Vale testar e usar do seu jeito”, aconselha a designer de joias Belle Paiva.
O público adepto ainda é majoritariamente feminino, mas o interesse dos homens é crescente.
“Nossas joias são pensadas para serem usadas por qualquer um. A escolha parte do gosto pessoal e da identificação com a peça”, destaca Stephanie Wenk, diretora-criativa da Sauer, que vem desenvolvendo novos modelos para a coleção do final do ano.
“Um broche transforma um visual simples em algo mais interessante e expressivo”, afirma Isa Bahia, designer de joias que se inspira na fauna e na flora.
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Modo de espetar
Dicas para transformar o visual com o enfeite
No lugar do botão. Utilizar o broche em uma das casas da camisa é um detalhe simples e inesperado.
Um é pouco. Vários deles agrupados na gola criam uma composição expressiva.
Em volta do pescoço. Prender um berloque no lenço e colocá-lo no pescoço traz charme e sofisticação.
Na gravata. Em tecidos lisos ou com texturas sutis, a peça ganha destaque.
Da orelha para a roupa. Quem quer experimentar, mas não quer gastar, pode testar um brinco preso à lapela.







