Brasilcore: gringos trazem febre verde e amarela de volta ao Rio

Com a proximidade da Copa do Mundo e um empurrãozinho estrangeiro, os cariocas começam a aderir ao movimento que exalta as cores da bandeira na moda

Por Angela Cardoso 17 abr 2026, 08h04
Raquel Poti credito Dani Dacorso.tif
Orgulho retomado: “Sinto que a cultura popular vive momento de exaltação”, diz Raquel Potí, atriz e pernalta  (Dani Dacorso/Veja Rio)
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  • Patrimônio cultural imaterial do Rio de Janeiro, a Feira Hippie de Ipanema — montada todo domingo na Praça General Osório, faça chuva ou faça sol, desde 1968 — reflete a tendência vista nas areias e no feed de famosas como Anitta e Virginia Fonseca: a moda verde e amarela.

    Biquínis, blusas, shorts e cangas com as cores da camisa da Seleção Brasileira se amontoam nas barracas e saem como água para estrangeiros em busca do brasilcore.

    Montagem Instagram @anitta Instagram @virginia
    Objeto de desejo: famosas como Virginia (à esq.) e Anitta (à dir.) já aderiram à tendência. (Instagram @anitta Instagram @virginia/Reprodução)

    Até o rapper porto-riquenho Bad Bunny entrou na onda ao vestir, no show realizado em São Paulo, uma jaqueta usada por Pelé (1940-2022) na Copa de 1966.

    Tanto afã faz com que os filhos deste solo comecem a perder o pudor de usar a dobradinha cromática — que acabou ficando muito associada às preferências políticas na última década.

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    “Eu observo um movimento de retomada do orgulho nacional. Voltei a vestir as cores da nossa bandeira porque sinto que a cultura popular e a noção de um país festivo vêm sendo exaltadas”, defende Raquel Potí, atriz, produtora cultural e pernalta de diversos blocos de Carnaval.

    Loren Klijn Iris Faber Marit Oostland, turistas holandesas em Copacabana. Rio de Janeiro RJ, foto de Daniela Dacorso .
    O povo fala: em Copacabana, a mania está nas ruas. (Daniela Dacorso/Veja Rio)
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    Vestir-se de brasileiro começou a virar moda nos Estados Unidos e na Europa justamente quando a polarização se acirrou por aqui.

    A tendência foi crescendo e, no verão do ano passado no hemisfério Norte, elementos tropicais apareceram com força em desfiles, editoriais e hashtags de redes sociais, incorporando alguns clichês da dita brasilidade, como o chinelo de borracha, o vira-lata caramelo e o filtro de barro. É natural, portanto, que a moda desembarque agora nestas praias e seja ressignificada.

    Embora seja uma estética nossa, não fomos nós que fizemos a tendência ganhar fôlego. A necessidade da validação estrangeira segue presente, mas que bom que nos obrigaram a olhar para nossas cores por uma outra ótica”, aponta a consultora de imagem Gabriela Ganem.

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    “Os clientes chegam procurando o biquíni da Virginia, o maiô da Mel Maia ou o top da Anitta, nosso best seller”, comenta Élio Gabão, vendedor da HBK Store, ao lado do Copacabana Palace, que atende diariamente turistas brasileiros e estrangeiros, além de alguns locais.

    lojas de roupas em Copacabana, Rio de Janeiro RJ. Foto de Daniela Dacorso.
    Por todos os cantos: biquínis coloridos em verde e amarelo tomam conta das vitrinis. (Daniela Dacorso/Veja Rio)

     

    De olho na Copa do Mundo que se avizinha, marcas de moda cariocas apostam no brasilcore, digamos, mais sofisticado. A Osklen optou por uma abordagem minimalista, enquanto a multicolorida Farm vai brincar com as cores e os elementos do futebol em suas estampas numa próxima coleção.

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    “A cultura brasileira é riquíssima e sempre será nossa principal inspiração. Um povo sem cultura é um povo sem identidade”, opina Marta Rodrigues, diretora criativa da FARM Futura, segmento focado em adolescentes, e da Fábula, etiqueta infantil, que já tem em suas araras peças para a criançada entrar no clima do maior torneio esportivo do planeta.

    Dimona Fábula
    Torcida carioca a postos: Dimona (à esq.) e Fábula (à dir.) lançaram coleções temáticas (./Divulgação)

    Nascida na Saara em 1967, a Dimona, conhecida por estampar camisetas de forma personalizada, vai lançar, em maio, uma coleção batizada de Molho Brasileiro. A sacada surgiu após o sucesso das peças voltadas para a folia. “Não ousamos competir com a camisa da seleção. O ponto de partida foi explorar as cores verde e amarela de uma maneira mais urbana, destacando a união em torno do futebol e a alegria de ser brasileiro”, explica Leonardo Zonenschein, sócio e diretor de marketing da Dimona. Vestir a camisa é um ato simbólico de orgulho e pertencimento.

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