Brasilcore: gringos trazem febre verde e amarela de volta ao Rio
Com a proximidade da Copa do Mundo e um empurrãozinho estrangeiro, os cariocas começam a aderir ao movimento que exalta as cores da bandeira na moda
Patrimônio cultural imaterial do Rio de Janeiro, a Feira Hippie de Ipanema — montada todo domingo na Praça General Osório, faça chuva ou faça sol, desde 1968 — reflete a tendência vista nas areias e no feed de famosas como Anitta e Virginia Fonseca: a moda verde e amarela.
Biquínis, blusas, shorts e cangas com as cores da camisa da Seleção Brasileira se amontoam nas barracas e saem como água para estrangeiros em busca do brasilcore.
Até o rapper porto-riquenho Bad Bunny entrou na onda ao vestir, no show realizado em São Paulo, uma jaqueta usada por Pelé (1940-2022) na Copa de 1966.
Tanto afã faz com que os filhos deste solo comecem a perder o pudor de usar a dobradinha cromática — que acabou ficando muito associada às preferências políticas na última década.
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“Eu observo um movimento de retomada do orgulho nacional. Voltei a vestir as cores da nossa bandeira porque sinto que a cultura popular e a noção de um país festivo vêm sendo exaltadas”, defende Raquel Potí, atriz, produtora cultural e pernalta de diversos blocos de Carnaval.
Vestir-se de brasileiro começou a virar moda nos Estados Unidos e na Europa justamente quando a polarização se acirrou por aqui.
A tendência foi crescendo e, no verão do ano passado no hemisfério Norte, elementos tropicais apareceram com força em desfiles, editoriais e hashtags de redes sociais, incorporando alguns clichês da dita brasilidade, como o chinelo de borracha, o vira-lata caramelo e o filtro de barro. É natural, portanto, que a moda desembarque agora nestas praias e seja ressignificada.
“Embora seja uma estética nossa, não fomos nós que fizemos a tendência ganhar fôlego. A necessidade da validação estrangeira segue presente, mas que bom que nos obrigaram a olhar para nossas cores por uma outra ótica”, aponta a consultora de imagem Gabriela Ganem.
“Os clientes chegam procurando o biquíni da Virginia, o maiô da Mel Maia ou o top da Anitta, nosso best seller”, comenta Élio Gabão, vendedor da HBK Store, ao lado do Copacabana Palace, que atende diariamente turistas brasileiros e estrangeiros, além de alguns locais.
De olho na Copa do Mundo que se avizinha, marcas de moda cariocas apostam no brasilcore, digamos, mais sofisticado. A Osklen optou por uma abordagem minimalista, enquanto a multicolorida Farm vai brincar com as cores e os elementos do futebol em suas estampas numa próxima coleção.
“A cultura brasileira é riquíssima e sempre será nossa principal inspiração. Um povo sem cultura é um povo sem identidade”, opina Marta Rodrigues, diretora criativa da FARM Futura, segmento focado em adolescentes, e da Fábula, etiqueta infantil, que já tem em suas araras peças para a criançada entrar no clima do maior torneio esportivo do planeta.
Nascida na Saara em 1967, a Dimona, conhecida por estampar camisetas de forma personalizada, vai lançar, em maio, uma coleção batizada de Molho Brasileiro. A sacada surgiu após o sucesso das peças voltadas para a folia. “Não ousamos competir com a camisa da seleção. O ponto de partida foi explorar as cores verde e amarela de uma maneira mais urbana, destacando a união em torno do futebol e a alegria de ser brasileiro”, explica Leonardo Zonenschein, sócio e diretor de marketing da Dimona. Vestir a camisa é um ato simbólico de orgulho e pertencimento.







