Cuidado com a bota! Veja dicas para não perder os sapatos no Rock in Rio

Depois da lama de 1985 e da “meleca preta” de 2001, chuva intensa deixa um rastro de solas descoladas, calçados remendados e muita gambiarra

Por Alessandra Carneiro 10 set 2026, 17h12 | Atualizado em 10 set 2026, 17h22
Duas fotos de show noturno. À esquerda, mulher morena sorridente, com jaqueta de couro preta, faz sinal de paz com a mão. Ao fundo, telões iluminados e público. À direita, botas sujas de lama apoiadas em uma grade, com palco e multidão ao fundo
Quase descalça: Amanda Antunes, do perfil Prefiro Viajar, foi uma das vítimas da "revolta das botas" no Rock in Rio (Amanda Antunes/Arquivo pessoal)
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Cada edição do Rock in Rio deixa seus causos. Em 1985, o público enfrentou o festival da lama. Em 2001, uma mistura de chuva, terra e resíduos grudou nos frequentadores e batizou o episódio conhecido como “dia da meleca preta”, que rendeu até comunidade no Orkut. Em 2026, já há um forte candidato a entrar para o folclore da Cidade do Rock: o enterro das botas.

Ao longo dos primeiros dias do festival, calçados foram vencidos pelo excesso de água, pelo desgaste acumulado e pelo tempo que passaram esquecidos no armário. Solados se soltaram, colas cederam e botas aparentemente resistentes deixaram seus donos quase descalços. Não era raro tropeçar em um solado solto pelo gramado do evento. Ao longo da semana, diversos relatos surgiram nas redes sociais de pessoas que tiveram de dar adeus ao seu calçado após a maratona de shows.  A situação atingiu principalmente quem já havia usado o mesmo par durante as chuvas fortes de sábado e domingo. No último dia do primeiro fim de semana, a água caiu de forma praticamente ininterrupta.

A influenciadora Amanda Antunes, do perfil Prefiro Viajar, estava em seu terceiro dia com a mesma bota: o calçado já havia passado pelo evento-teste e pelo domingo de forte chuva. “Ela começou a descolar um pouco no pé esquerdo e, do nada, o pé direito inteiro descolou”, conta. O problema piorou quando Amanda deixou a área VIP para assistir ao show de Belo. Depois de tentar, sem sucesso, prender a sola com um elástico de cabelo, ela buscou uma saída na loja de produtos oficiais. “Fui tentar comprar um chinelo. Foi quando a vendedora me ofereceu durex e eu enfaixei a bota inteira”, diverte-se.

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Para a publicitária Rubi Aguiar, o sinal de alerta apareceu logo na chegada à Cidade do Rock. Com cerca de 13 anos, a bota escolhida para proteger os pés da chuva não saía do armário havia pelo menos sete. “Estava chovendo e era a opção confortável que eu tinha em casa, além de tênis, que deixaria meu pé molhado. Eu não podia imaginar que, no fim, acabaria quase sem sapato”, relata. Enquanto calculava onde encontraria outro par — e quanto pagaria por ele dentro do festival —, surgiu a salvação dentro do estande da TIM: “um produtor, Fábio, santo Fábio, me ajudou ao emprestar uma fita isolante”.

O improviso garantiu a volta para casa ainda calçada, embora com os pés molhados. Rubi também não foi um caso isolado: outras duas pessoas de seu grupo recorreram a gambiarras para não terminar a noite descalças. Uma delas chegou a ver frequentadores saindo da C&A com os sapatos nas mãos, prontos para serem descartados.

Três pares de pés em um chão escuro e áspero. Um pé usa bota preta com tecido xadrez e papel higiênico preso. Outro pé tem bota preta brilhante com plástico enrolado. O terceiro pé usa sapato escuro com plástico branco cobrindo o tornozelo e parte do pé
O enterro das botas no Rock in Rio: Rubi Aguiar e suas amigas deram adeus aos calçados na mesma noite (./Arquivo pessoal)
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A jornalista e influenciadora Duda Vétere, do You Must Go!, também entrou para a lista de vítimas. Antes de chegar ao festival, ela havia aconselhado os seguidores a não abusarem da sorte com botas guardadas havia muito tempo, e elogiado o próprio coturno, que resistira a mais de dez horas de chuva no domingo. Pouco depois, veio a ironia: o solado também se soltou. Para atravessar o restante da noite, Duda encapou o calçado com esparadrapo comprado na própria Cidade do Rock.

Os números ajudam a dimensionar o enterro coletivo. Segundo a C&A, os calçados foram os itens mais depositados na urna do Movimento ReCiclo. Além disso, nos quatro primeiros dias do evento, a loja vendeu mais de 300 pares, volume 17% superior ao registrado durante toda a edição de 2024.

Para evitar que a bota também peça aposentadoria no meio de um show, alguns cuidados simples podem ajudar:

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  • Não estreie calçados no festival: use a bota antes por algumas horas para verificar se ela machuca, escorrega ou apresenta sinais de desgaste.
  • Desconfie daquele par antigo: mesmo com boa aparência, sapatos guardados durante anos podem ter a cola e outros componentes deteriorados.
  • Faça um teste em casa: flexione a sola, caminhe com o calçado e observe se existem rachaduras, partes esfarelando ou pontos de descolamento.
  • Dê descanso ao sapato: quem vai a vários dias de festival deve, se possível, alternar os pares. Depois da chuva, retire as palmilhas e deixe o calçado secar completamente em local ventilado.
  • Leve um pequeno kit de emergência: fita adesiva resistente e curativos podem quebrar o galho até a hora de ir embora. Meias extras, protegidas em um saco plástico, também ajudam caso a água entre.

    A cobertura do Rock in Rio por VEJA Rio é um oferecimento de TIM.

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