Borboleta rara aparece em Parque Estadual em Niterói

Projeto de monitoramento da Serra da Tiririca já identificou 301 espécies; exemplares vistos recentemente são importantes indicadores da saúde do ecossistema

Por Elisa Torres 9 jun 2026, 15h01 | Atualizado em 9 jun 2026, 15h51
Borboleta de asas transparentes com bordas pretas e listras laranja, pousada em um galho seco sobre folhas marrons no chão da floresta
Camuflagem: a espécie Ithomia drymo, comum da Mata Atlântica, tem na transparência das asas uma das estratégias de defesa (Marcello da Costa Faria/Peset-Inea/Divulgação)
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Espécie encontrada na Mata Atlântica, uma borboleta-asa-de-vidro (Ithomia drymo) foi vista na quarta (3) no Parque Estadual da Serra da Tiririca, em Niterói. Produzidos pelo guarda-parque do Instituto Estadual do Ambiente (Inea), Ronaldo Costa, durante o monitoramento da trilha do Caminho Darwin, os belos registros da espécie, que chama atenção pelas asas quase transparentes,  foram publicados na coluna de Ancelmo Gois, no jornal O Globo.

Borboleta com asas transparentes e bordas laranjas, pretas e azuis, pousada em uma folha verde com manchas brancas, vista lateral
A borboleta asa-de-vidro registrada por um guarda na última quarta (3) no Parque Estadual da Serra da Tiririca (Ronaldo Costa/ Inea/Divulgação)

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A transparência das asas é uma característica que funciona como uma eficiente estratégia de camuflagem. Na floresta, a asa-de-vidro consegue se misturar ao ambiente, dificultando sua identificação por predadores.

Mas essa não é sua única forma de defesa. As lagartas da borboleta-asa-de-vidro se alimentam de plantas tóxicas, especialmente espécies do gênero Cestrum, acumulando substâncias químicas que tornam seu sabor desagradável para aves e outros animais.

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Segundo o guarda-parque e biólogo Marcello da Costa Faria, que coordena estudos sobre as borboletas da região, a espécie é considerada um importante bioindicador ambiental. Isso porque ela depende de condições muito específicas para sobreviver, como florestas densas e com elevada umidade. “As borboletas-asa-de-vidro são extremamente sensíveis às alterações do ambiente. Elas precisam de um microclima bem preservado dentro da floresta, com alta umidade e vegetação densa. Por isso, sua presença é um indicativo da qualidade ambiental da área”, explica Faria.

Borboleta de asas transparentes com bordas marrons e veias escuras, pousada em uma folha verde clara, com fundo de folhagem borrada
A borboleta asa-de-vidro: camuflagem da transparência é uma das estratégias de defesa (Marcello da Costa Faria/Peset-Inea/Divulgação)

O especialista destaca ainda que as borboletas são mestres da camuflagem em todas as fases da vida. “Desde a lagarta até a fase adulta, elas desenvolveram estratégias para escapar dos predadores. No caso da asa-de-vidro, a transparência das asas faz com que ela praticamente desapareça entre folhas e galhos”, afirma.

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Faria ressalta que o termo “asa-de-vidro” engloba várias espécies semelhantes: “o nome popular ‘asa-de-vidro’ não se refere apenas à Ithomia drymo, vista recentemente, mas a diversas espécies de borboletas da tribo Ithomiini, pertencentes à família Nymphalidae”, afirma o especialista, acrescentando que todas essas espécies são típicas da Mata Atlântica e costumam ser encontradas em áreas de floresta densa e úmida.

Borboleta com asas transparentes e bordas pretas, com detalhes em azul claro e laranja, pousada em um galho escuro e úmido. Folhas secas marrons e uma folha verde ao fundo compõem o ambiente natural
Mais um registro da Ithomia drymo: monitoramento das borboletas da Serra da Tiririca já identificou 301 espécies (Marcello da Costa Faria/Peset-Inea/Divulgação)

A característica que deu origem ao apelido é a transparência das asas. Diferentemente da maioria das borboletas, as espécies desse grupo apresentam escamas com pouca ou nenhuma pigmentação. Além disso, estruturas microscópicas presentes nas asas reduzem a reflexão e o espalhamento da luz, criando o efeito translúcido que ajuda na camuflagem.

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Os registros reforçam a importância do projeto de monitoramento das borboletas da Serra da Tiririca, desenvolvido em parceria entre o Laboratório de Ecodesenvolvimento Serra da Tiririca e Entorno (Labsete/UFF), o Parque Estadual da Serra da Tiririca (Peset) e o Instituto Estadual do Ambiente (Inea).

De acordo com Faria, o levantamento já identificou 301 espécies de borboletas na unidade de conservação e em seu entorno, demonstrando a riqueza da biodiversidade local. “A Serra da Tiririca é um local muito rico para a observação e o estudo de borboletas. Cada novo registro ajuda a ampliar o conhecimento sobre a fauna da Mata Atlântica e reforça a necessidade de conservar esses ambientes”, conclui.

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