O boom do mercado imobiliário no Flamengo, Catete e Laranjeiras

Escassez de terrenos em Ipanema e Leblon, mudanças na legislação e busca por infraestrutura aceleram lançamentos na região e a valorização da Zona Sul B

Por Natália Boere 15 Maio 2026, 07h50
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Qualidade de vida: o casal Lilian e André Moro se mudou da Tijuca para o Flamengo com os filhos, Miguel, 14, e Bento, 2  (Ana Paula Amorim/Veja Rio)
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A poucos metros da Praia do Flamengo, um dos terrenos mais simbólicos da Zona Sul voltou ao centro do mercado imobiliário carioca. O antigo Colégio Bennett, na Rua Marquês de Abrantes, fechado desde 2020, dará lugar ao Symphony, condomínio residencial de alto padrão, consolidando uma tendência que vem redesenhando bairros tradicionais como Flamengo, Catete e Laranjeiras. O empreendimento com 360 apartamentos distribuídos em dois prédios de treze andares cada, projeto da incorporadora NewView em parceria com o BTG Pactual, ocupará parte dos 15 000 metros quadrados do terreno e terá unidades entre 40 e 110 metros quadrados, além de coberturas de até 230 metros quadrados, com preços entre 960 000 e 4 milhões de reais.

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O Symphony ocupará o terreno do antigo Colégio Bennett, no Flamengo: a fachada do casarão será restaurada (./Divulgação)

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“A velocidade de venda no Flamengo é a maior da Zona Sul atualmente”, afirma Rogério Chor, sócio da NewView, que também foi responsável pelo Quartier Carioca, lançado em 2006 no Catete e apontado pelo setor como um marco na valorização da região. Na época, o metro quadrado ali girava em torno de 2 600 reais. Hoje, chega a 20 000. “Vendi meu apartamento no Quartier em 2013 pelo triplo do que paguei sete anos antes”, diz a empresária Anne Wurman. Ela acabou voltando para Ipanema por conta da rede de apoio familiar, mas revela que se apaixonou pela região: “Fui surpreendida positivamente”.

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Grife: a academia de ginástica do Symphony terá consultoria da Bodytech (./Divulgação)
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 A onda de lançamentos na chamada ‘Zona Sul B’, incluindo também a Glória, está relacionada à escassez em territórios nobres. “Conseguir um terreno de 2 000 metros quadrados em Ipanema ou Leblon é quase impossível”, diz Chor, da NewView. A obra do Bennett, que enfrenta questionamentos do Ministério Público e protestos de moradores da região, foi recentemente retomada e a previsão de entrega é em 2029. Mudanças recentes na legislação urbanística e a busca crescente por vizinhança com infraestrutura consolidada também explicam esse boom.

“O Plano Diretor de 2024 flexibilizou regras que determinavam tamanho mínimo de apartamento e exigência de garagem, por exemplo, viabilizando projetos em bairros antes considerados pouco atrativos economicamente”, resume Leonardo Mesquita, presidente da Associação das Empresas do Mercado Imobiliário (Ademi). “É uma área muito bem servida de transporte, comércio e serviços, no meio do caminho entre o Centro e a Zona Sul”, avalia o arquiteto e urbanista Washington Fajardo, ex-secretário municipal de Planejamento Urbano. 

Os números mostram o avanço: entre 2024 e 2026, o Flamengo recebeu três lançamentos com 285 unidades, das quais 243 já foram vendidas, segundo dados da GeoBrain, a pedido da Ademi. O preço médio do metro quadrado dos novos empreendimentos chegou a 22 500 reais. Em Laranjeiras, 90% das unidades do Soul Rio Gago Coutinho foram arrematadas no primeiro dia, movimentando 81 milhões de reais em algumas horas. “Existe uma demanda consistente por condomínios modernos em bairros tradicionais”, diz Raphael Zanola, sócio da RJDI, responsável pela novidade pertinho do Largo do Machado. Já o Céu Laranjeiras, retrofit do Grupo CTV que transformará um edifício comercial da Rua Moura Brasil em residencial, alcançou 65% das vendas em poucos meses.

“Quem mora em Laranjeiras não quer sair do bairro”, resume Guilherme Mororó, diretor comercial da empresa. “Com filhos, faz diferença ter piscina, brinquedoteca, churrasqueira. E é um privilégio morar a poucos passos do metrô e do Aterro”, celebra a professora Lilian Moro, que se mudou com a família da Tijuca para o condomínio Ícono Parque, no Flamengo. Já o aposentado Luiz Saddy não vê a hora de receber as chaves de seu apartamento no Taman, no mesmo bairro, o que deve acontecer este mês. “Queria simplificar a minha vida. Agora vou fazer tudo a pé”, destaca. “É uma boa região para morar, investir e empreender”, dá a dica Marcos Saceanu, presidente da incorporadora Piimo. Eis a nova fronteira da Zona Sul. 

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Em ascensão 

Números do mercado imobiliário na região

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Área de lazer do Céu Laranjeiras: retrofit alcançou 65% das vendas em poucos meses (./Divulgação)

669% foi a alta no metro quadrado residencial para venda no Catete 

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285 novos apartamentos foram lançados só no Flamengo nos últimos dois anos

 515 mil reais é o valor dos studios no Céu de Laranjeiras, que será entregue em 2028 

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