Filhotes de boto-cinza nascem na Baía de Guanabara e animam pesquisadores

Mais que a beleza, os bebês botos representam uma chance para a espécie mais simbólica do Rio de Janeiro, presente na bandeira e no brasão do município

Por Redação VEJA RIO Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 8 jun 2026, 16h28
Novos moradores: flagra de filhotes de boto-cinza na Baía de Guanabara reforça a recuperação da vida marinha
Novos moradores: flagra de filhotes de boto-cinza na Baía de Guanabara reforça a recuperação da vida marinha  (Ricardo Gomes/Reprodução)
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Filhotes de boto-cinza nascem na Baía de Guanabara e animam pesquisadores Priorizar nos meus resultados Google

O animal-símbolo que estampa a bandeira e o brasão do município do Rio de Janeiro acaba de ganhar um importante reforço na sua luta contra a extinção. O nascimento de dois filhotes de boto-cinza (Sotalia guianensis) na Baía de Guanabara reacendeu a esperança de cientistas que lutam pela preservação da espécie, ameaçada por um histórico de degradação ambiental.

Os novos moradores da baía possuem idades diferentes: um deles tem cerca de seis meses e o mais novo tem, no máximo, dois meses de vida

Ambos medem cerca de um metro de comprimento, apresentam uma coloração mais clara que a dos adultos e ainda exibem as dobras neonatais, que são marcas na pele que também são características de bebês humanos.

 Os pesquisadores informam que ainda não foi possível identificar o sexo de nenhum dos dois filhotes.

A chegada dos novos integrantes é vista como uma ótima notícia que representa a resistência biológica. De acordo com o Laboratório de Mamíferos Aquáticos e Bioindicadores (MAQUA), da Faculdade de Oceanografia da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), que estuda e monitora esses animais há três décadas, a população de botos-cinza da Guanabara já foi contada na casa dos milhares.

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Porém, devido aos impactos humanos, o grupo foi drasticamente reduzido e está estagnado em apenas 30 indivíduos há quase 10 anos. Como o boto-cinza é uma espécie que passa a vida inteira no mesmo corpo d’água onde nasceu, sem migrar para outras regiões, a sobrevivência desses filhotes depende exclusivamente das condições da própria baía.

Apesar das pressões ambientais, o aparecimento dos filhotes coincide com um movimento de resiliência que abraça outras espécies marinhas da região. O biólogo Ricardo Gomes, presidente do Instituto Mar Urbano (IMU) foi o responsável por registrar as imagens dos recém-nascidos. Ele destacou que a Guanabara abriga uma biodiversidade rica.

“A diversidade de vida marinha que se vê num único dia na baía impressiona. E não só quem mergulha. Muita coisa se vê de fora, como os botos, as tartarugas, as aves. Mesmo peixes, como as raias, são visíveis em água clara. As baleias são sensacionais. Mas a gente tem uma biodiversidade marinha magnífica na porta de casa para ver o ano todo”, contou Gomes ao jornal O Globo.

O cenário atual da baía inclui a época das baleias-jubarte, que começaram a aparecer em maio, o registro de aves migratórias como os trinta-réis, o crescimento da população de tartarugas-verdes e a presença de raias que pertencem a espécies ameaçadas de extinção.

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