Patrulha Canina: Batalhão de Ações com Cães forma nova geração de agentes

Inspirados em Hulk, primeiro animal a receber a Medalha Tiradentes, eles treinam para farejar drogas e explosivos, atuar em manifestações e até para dar carinho

Por Paula Autran 17 jul 2026, 06h06
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Trabalho exemplar: em junho, o pastor belga malinois Hulk recebeu a Medalha Tiradentes após farejar quantidade recorde de drogas na Maré  (BAC RJ/Divulgação)
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Maior honraria da Assembleia Legislativa do Rio, a Medalha Tiradentes foi concedida, em 18 de junho, ao bravo e competente policial Hulk. O pastor belga malinois é o primeiro animal a receber a insígnia, graças aos serviços prestados em prol da segurança pública do estado. Em abril, o cachorro de 4 anos de idade farejou 48 toneladas de entorpecentes numa cisterna abandonada, durante operação no Complexo da Maré — um recorde. Com valor estimado em 50 milhões de reais, a droga poderia render 150 milhões depois de endolada. “Ela estava muito bem escondida, mas percebi uma mudança no comportamento do Hulk, que nos levou até o bunker”, conta o terceiro sargento Wildemar de Oliveira Souza, que treina o herói desde filhote. Há um mês, Hulk ganhou companhia no Batalhão de Ações com Cães (BAC), sediado em Olaria, Zona Norte. Uma turma de vinte promissores aspirantes se prepara para integrar a tropa de elite canina da Polícia Militar. Onze labradores e nove pastores belga malinois, como Hulk, vêm sendo avaliados e treinados desde o terceiro dia de vida para assumir um posto na unidade do gênero que mais apreende drogas em áreas conflagradas do mundo todo.

Medalha dourada com a inscrição Palácio Tiradentes e um prédio, sobreposta a uma fita azul e branca, dentro de uma caixa de veludo azul. Ao lado, uma coleira azul com uma plaquinha dourada em formato de osso, gravada com Hulk e uma patinha.
Medalha Tiradentes: a de Hulk veio com um detalhe especial (Alerj/Divulgação)

Com mais de duzentas atuações na localização de drogas e armas, Hulk é símbolo de um plantel de 87 cães que trabalham duro, entre oito e dez horas por dia, ao lado de 306 agentes. “Nossos homens e mulheres andam cerca de 15 quilômetros nas operações. Os animais vão e voltam, então cumprem quase uma maratona por dia”, analisa o capitão João Paulo Bóia, especialista em adestramento do BAC, que existe formalmente desde 2011, embora a Polícia Militar conte com os serviços caninos desde 1955. Para aguentar o tranco, a matilha consome 1,5 tonelada de ração premium por mês. Até a aposentadoria, aos 8 anos, quando são doados para viver como pets, os animais são um ativo estratégico das operações policiais. “Eles tornam nossa atuação mais cirúrgica e trazem resultados exponenciais na missão de tirar o poder financeiro e bélico das facções”, diz o capitão Bóia. Focinhos têm 300 milhões de células receptoras de odores, enquanto os narizes humanos têm 6 milhões. Essa característica dá fama aos patrulheiros. Aeron, já falecido, foi a estrela da novela A Força do Querer (2017) ao lado da major Jeiza (Paolla Oliveira), desempenhando na ficção tarefas que já dominava na vida real. “Fizemos várias cenas de blitz, revistando carros e subindo em caminhão. Bem tenso”, contou à época a atriz,, que fez laboratório prévio em casa: seu pai, José Everardo, comandou o canil da polícia de São Paulo.

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Animais atletas: “Eles cumprem quase uma maratona por dia”, explica o capitão e adestrador João Paulo Bóia (BAC RJ/Divulgação)
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Estrelas também na ficção: na novela A Força do Querer (2017), Paolla Oliveira interpretou a policial Jeiza, que lidava diariamente com cães (Estevam Avellar/TV Globo)
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Ser bom de faro é só um dos pré-requisitos para conquistar uma vaga no batalhão mais fofo da PM do Rio. Os agentes de quatro patas também são designados para missões truculentas, como as ações de controle de distúrbios civis em estádios e manifestações. Nessas ocasiões, entram em cena os especialistas em mordidas. “Eles são treinados para provocar lesões não-letais, neutralizando elementos agressivos”, explica o adestrador. Há, também, os que se dedicam ao serviço social. “Em geral, são os labradores, cuja missão é dar e receber carinho”, afirma Bóia, sobre os pupilos que fazem parte de equipes multidisciplinares de cinoterapia. Cada tropa tem sua função, e os filhotes recém-chegados estão justamente na fase em que são observados e estimulados a fim de serem encaminhados aos setores para os quais têm mais aptidão. “Quem chora mais, quem busca as tetas centrais da mãe para pegar mais leite, quem tem mais medo de barulho ou não gosta tanto de carinho… Tudo isso é avaliado”, detalha o capitão. Só então os cães entram no chamado estágio probatório. Com pouco mais de um ano, são considerados maduros para o serviço.

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Em avaliação: o batalhão especializado recebeu há pouco mais de um mês vinte filhotes que entrarão em serviço em breve (BAC RJ/Divulgação)
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Aspirantes fofos: filhotes descendem de veteranos do batalhão (BAC RJ/Divulgação)
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Para chegar até ali, os cachorrinhos são comprados (com base em uma comissão), doados ou fruto de reprodução interna, levando em conta as habilidades genéticas dos veteranos. É o caso dos novos recrutas, que formam o maior grupo já recebido pelo batalhão, onde dão expediente oficiais veterinários e enfermeiros. “Criamos uma força-tarefa para lidar com tantos filhotes”, brinca Bóia, acrescentando que os policiais do batalhão passam por um curso específico para estarem aptos a fazer um atendimento pré-hospitalar caso os bichinhos venham a se machucar em ação. “Atuando em áreas conflagradas, eles podem se ferir com estilhaços, cortar as patas, cair de uma laje ou levar um choque”, enumera. Aparatos especiais, como capacete acústico para viagens de helicóptero, proteção para os olhos e botinha tática, para não escorregar, estão à disposição dos agentes caninos. “A roupa depende muito da missão. Os de faro têm que trabalhar bem leves, o mais natural possível, assim como os de detecção de explosivos”, detalha Bóia. Um pelotão de respeito, mas muito fofo. 

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Tropa do focinho

O destino de cada animal depende de sua aptidão 

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Farejadores. Cães de faro fino trabalham na detecção de drogas e explosivos — estes com odor bem menos latente. Há ainda os que, a partir de um cheiro de referência, buscam pessoas em áreas conflagradas. Eles podem ajudar a encontrar bandidos que fogem para a mata. 

Controle de distúrbios Civis. Presentes no policiamento de estádios e manifestações, os cachorros são treinados para morder sem causar lesões letais, com o objetivo de neutralizar elementos agressivos em multidões. 

Intervenções táticas. São uma alternativa de forças de elite da segurança para conter situações de crise, violência ou alta complexidade. Atuam com o Batalhão de Operações Especiais (Bope) para a liberação de reféns, por exemplo. 

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Serviço social. Guiados por profissionais de saúde, os animais são treinados para auxiliar na reabilitação física, emocional e cognitiva. A prática reduz o estresse, melhora a socialização e promove o bem-estar dos pacientes. O BAC tem parcerias com as prefeituras de Maricá e Volta Redonda, por exemplo, para desempenhar o serviço. 

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Serviço social: cães treinados podem ajudar no tratamento de pacientes com necessidades especiais ()

 

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