Quem é o assessor parlamentar preso em operação contra exploração de menores
Carlos Alberto trabalhou no gabinete da deputada federal Talíria Petrone (PSOL) e já havia sido chefe de gabinete do deputado estadual Flávio Serafini (PSOL)
O assessor parlamentar Carlos Alberto Lúcio Bittencourt Filho foi preso durante uma operação da Polícia Civil nesta quarta (28). A ação investiga uma rede suspeita de praticar violência e exploração sexual contra adolescentes.
Carlos trabalhava no gabinete da deputada federal Talíria Petrone (PSOL), na Câmara dos Deputados, e já havia sido chefe de gabinete do deputado estadual Flávio Serafini (PSOL), na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj).
De acordo com a investigação, ele é suspeito de fazer parte de uma rede que produziria vídeos de violência sexual contra adolescentes e utilizava as imagens para ameaçar as vítimas. O assessor deve passar por audiência de custódia no mesmo dia da prisão.
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Pelo menos em 2015, Carlos passou a ocupar cargos em gabinetes parlamentares e foi nomeado assessor do até então deputado estadual Flávio Serafini (PSOL). Depois, ele assumiu a chefia de gabinete do parlamentar.
Em 2016, contribuiu para a criação do relatório da Comissão Especial sobre a Baía de Guanabara, na Alerj. A partir 2019, trabalha no gabinete da então deputada federal Talíria Petrone. Ao longo do tempo, desempenhou funções de assessoramento parlamentar na Câmara dos Deputados.
Carlos também foi professor e pesquisador antes de trabalhar com política institucional. Graduado em História pela Universidade Federal Fluminense (UFF) — onde também fez mestrado e doutorado — atuou nas redes municipal e estadual de ensino. Entre 2010 e 2015, foi pesquisador no Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (Ibase), onde coordenou o Observatório do Pré-Sal e da Industria Extrativa Mineral.
A investigação conduzida pela 74ª DP, em São Gonçalo, começou em julho, após pais de uma adolescente fazerem uma denúncia sobre os abusos sofridos pela filha. Segundo o delegado Antônio Salvino, eles teriam acontecido há cerca de um ano.
De acordo com a Polícia Civil, o grupo investigado produziria vídeos de estupros coletivos e outras agressões, além de utilizar o material para intimidar vítimas e submetê-las a novos abusos.
As investigações avançaram depois que o assessor parlamentar da Câmara Municipal de Niterói Matheus Rodrigues Gonçalves foi preso, em julho. Ainda segundo o delegado, imagens de câmeras de segurança ajudaram a identificar novos suspeitos.
Outras seis pessoas foram presas, entre elas um terceiro-sargento da Polícia Militar. São suspeitas de envolvimento em crimes como estupro de vulnerável, corrupção de menores, exploração sexual de adolescentes, associação criminosa e tortura.
Em nota, a Polícia Militar afirmou que acompanha os desdobramentos da investigação para avaliar as medidas cabíveis ao agente preso. A corporação reiterou que não tolera desvios de conduta ou o cometimento de crimes por seus integrantes. Também reforçou que adota as medidas administrativas e disciplinares previstas, com o rigor necessário, sempre que as irregularidades são devidamente constatadas.
Já deputada federal Talíria Petrone afirmou: “Surpreendida na manhã de hoje com informações sobre a operação da Polícia Civil decorrente de investigações que seguem em curso sobre exploração sexual. Determinei a exoneração do assessor citado no processo, enquanto aguardamos a elucidação dos fatos”. “Minha vida é e sempre foi pautada pela defesa intransigente das mulheres e de seus direitos. Expresso minha total solidariedade à vítima e à sua família. Não compactuamos com qualquer forma de violência, em especial contra meninas e mulheres.” “As investigações devem ser conduzidas com transparência, rigor e independência, respeitando o devido processo legal e garantindo a apuração dos fatos com base nas provas”, defende.
As informações foram noticiadas por O Globo.






