O que vai acontecer após desabamento de casarão no Cosme Velho
Prefeitura inicia desapropriação de imóveis, prevê leilão para dar novo uso aos terrenos e promete ampliar ofensiva contra casarões degradados
O desabamento parcial de um casarão no Cosme Velho, que deixou uma mulher de 43 anos e a filha, de 2, feridas no sábado (19), vai provocar mudanças em uma área marcada por imóveis históricos em estado de abandono. Nesta segunda (21), a Prefeitura do Rio publicou decreto declarando de utilidade pública, para fins de desapropriação, os imóveis de números 362 e 370 da Rua Cosme Velho. O segundo deles foi o atingido pelo desabamento.
A medida é o primeiro passo para que as propriedades sejam incorporadas pelo município e ganhem uma nova função. Segundo a prefeitura, a ideia é que imóveis desapropriados possam ser levados a leilão público, abrindo caminho para sua recuperação e reutilização. A Prefeitura também anunciou que pretende estender a iniciativa a outros endereços degradados da região, entre eles a Casa Portinari e o Solar dos Abacaxis, além de promover uma nova rodada de desapropriações no Centro Histórico.
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Mas antes de qualquer novo uso há trabalho emergencial pela frente. A Defesa Civil interditou o casarão de dois andares e também o segundo pavimento do imóvel vizinho. Após vistoria, foi determinada a demolição dos andares superiores das duas construções. A Secretaria Municipal de Conservação atua na operação, enquanto a Comlurb fica responsável pela retirada dos escombros.
O acidente ocorreu depois de uma sequência de alertas sobre o estado das construções. Segundo a Defesa Civil, o imóvel que desabou havia passado por três vistorias antes do episódio. O proprietário foi orientado ainda em 2023 a realizar obras de recuperação, e novas inspeções, em 2025, constataram que as intervenções não haviam sido feitas. Em março deste ano, a associação de moradores do Cosme Velho também encaminhou à Prefeitura um documento alertando para o risco de queda e relatando infiltrações, deterioração de fachadas e problemas nos telhados dos imóveis.
O caso pode ainda inaugurar uma intervenção mais ampla sobre imóveis deteriorados da cidade. A Prefeitura já adota mecanismo semelhante no Centro por meio do Reviver Centro Patrimônio Pró-APAC: prédios históricos degradados são desapropriados e levados a leilão, com previsão de recuperação. Segundo o município, mais de 4 mil imóveis em situação de degradação foram mapeados na região central.







