Acidente com helicópteros: Anac multou operador de uma das aeronaves

Segundo transporte também aparece em registros da agência; há suspeita de prática de táxi aéreo clandestino no Aeroporto de Jacarepaguá

Por Redação VEJA RIO Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 16 jun 2026, 12h20 | Atualizado em 16 jun 2026, 12h31
Incêndio em estacionamento com chamas alaranjadas e fumaça preta densa subindo, carros estacionados em várias fileiras, e um prédio branco com varandas verdes ao fundo
No domingo, os dois helicópteros caíram em pátio de concessionária da BYD, no Recreio, após colidirem (TV Globo/Reprodução)
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Dois dias após a colisão entre dois helicópteros no Recreio dos Bandeirantes, que deixou seis mortos — entre eles o cantor americano Oliver Tree —, as investigações seguem em andamento, e agora passaram a analisar não apenas as causas do acidente, mas também o histórico operacional das aeronaves envolvidas. Documentos da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) mostram que uma das aeronaves havia sido autuada por não fornecer informações solicitadas pela fiscalização, enquanto a outra já havia sido monitorada por suspeita de transporte aéreo clandestino.

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O acidente ocorreu na manhã de domingo (14), quando os helicópteros colidiram no ar antes de cairem em um terreno utilizado para armazenamento de veículos elétricos e híbridos. Uma das aeronaves explodiu após atingir o solo, provocando um incêndio que destruiu dezenas de automóveis. As seis pessoas que estavam a bordo morreram.

Entre os novos elementos apurados após a tragédia está uma multa aplicada pela Anac ao empresário Oswaldo de Luca Filho, proprietário do helicóptero de matrícula PP-MAC. Segundo decisão da agência, publicada em julho de 2025, ele foi penalizado em 8 000 reais após se recusar a apresentar livros, documentos contábeis, informações e estatísticas solicitados por agentes durante uma fiscalização. Na ocasião, a Anac considerou que se tratava da primeira autuação do tipo e aplicou a penalidade mínima prevista.

De acordo com documentos da agência, o auto de infração foi emitido em 2025, durante a apuração de uma denúncia anônima de que o helicóptero estaria realizando serviço de táxi aéreo clandestino. Durante o processo de investigação, a empresa responsável pela aeronave não cumpriu o prazo estabelecido em intimação para encaminhar os documentos solicitados pela Anac.

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Na denúncia recebida pela Anac no ano passado, foi afirmado que a aeronave PP-MAC estaria realizando serviço de táxi aéreo clandestino no Aeroporto de Jacarepaguá, na Zona Sudoeste do Rio. De acordo com o documento, a aeronave operava com “manutenção vencida e diário de bordo com lançamento inconsistente de horas totais voadas”.

A segunda aeronave envolvida no acidente, de matrícula PR-DJJ, também aparece em registros da Anac. Em fevereiro deste ano, fiscais recomendaram o monitoramento do helicóptero após identificarem indícios que poderiam estar relacionados à prática de transporte aéreo clandestino no Aeroporto de Jacarepaguá. Até o momento, não há confirmação de que a aeronave estivesse realizando transporte irregular no dia do acidente.

As duas aeronaves possuíam certificados de aeronavegabilidade válidos. O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) segue responsável pela apuração das circunstâncias da colisão e trabalha para determinar os fatores que levaram à perda de separação entre os voos.

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Além das causas do acidente, os investigadores deverão verificar se as operações realizadas pelas aeronaves estavam em conformidade com a regulamentação da aviação civil brasileira. Até o momento, não há conclusão oficial sobre a dinâmica da colisão nem sobre eventuais irregularidades relacionadas aos voos.

Como foi o acidente

A colisão aconteceu na manhã deste domingo (14) na região do Recreio dos Bandeirantes, na Zona Sudoeste da cidade. Os dois helicópteros se chocaram no ar antes de despencarem sobre um terreno utilizado como pátio para armazenamento de veículos elétricos e híbridos. Uma das aeronaves explodiu ao atingir o solo, provocando um incêndio que atingiu dezenas de automóveis estacionados no local. Equipes do Corpo de Bombeiros, da Polícia Civil, da Anac e do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) atuaram na ocorrência.

As seis pessoas que estavam a bordo, a caminho de uma festa em Angra dos Reis, morreram. Entre as vítimas estão os pilotos das duas aeronaves, identificados como Alexandre Souza e Charles Marsillac, e quatro passageiros: Oliver Tree Nickell, Lucas Vignale, Gaspar Prim e Lucas Brito Chaves. Oliver Tree, cantor e compositor norte-americano de 32 anos, acumulava milhões de seguidores nas redes sociais e mais de 11 milhões de ouvintes mensais em plataformas de streaming, onde emplacou grandes sucessos.

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