A periferia no controle: Afrogames Studios leva a Favela da Maré para o Fortnite

Street Racing City foi desenvolvido por moradores da comunidade, incorporando elementos da história e da paisagem do complexo da Zona Norte

Por Paula Autran 9 out 2026, 06h01
Pessoa de costas com fones de ouvido jogando videogame de corrida em um monitor, segurando um controle branco. Na tela, um carro de corrida em uma pista urbana com prédios coloridos ao fundo, mostrando a volta 2 de 3 e a velocidade 557
Censura livre: não há um tiro sequer nas cinco pistas do jogo (./Divulgação)
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Correr pela Avenida Brasil, passar pela Fiocruz e enfrentar obstáculos como um ônibus do BRT que vem em sua direção. Este é o novo desafio que os jogadores de Fortnite vão encarar no módulo Street Racing City, primeira criação internacional do Afrogames Studios. Trata-se de uma corrida estilo arcade para até cinco participantes. À disposição dos 350 milhões de usuários registrados em todo o mundo no jogo, o trajeto traz cinco pistas e incorpora elementos inspirados na história e na paisagem do Complexo da Maré. Uma delas até resgata o passado de palafitas da região. 

Vista aérea de uma cidade com uma grande construção branca e telhado curvo, com a inscrição CENTRAL DE ARTES NA MARÉ em letras coloridas. Ao redor, há muitas casas pequenas e coloridas, algumas com caixas dágua azuis nos telhados, e ruas sinuosas. Ao fundo, montanhas verdes e o mar azul. Um cenário vibrante e detalhado, com um trem amarelo na parte inferior direita
Street Racing City: corrida estilo arcade para até cinco participantes (./Divulgação)

“A favela é a grande consumidora dos e-games”, frisa Danilo Costa, diretor executivo do Grupo Cultural AfroReggae, ressaltando que 63% dos brasileiros jogam e que, deste total, 83% dizem que esta é sua principal fonte de lazer, a maioria deles das classes C e D. Quem ficou responsável por coordenar o time de desenvolvedores, todos moradores da Maré, foi Luca Alves.

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“Tínhamos que fazer algo representativo de onde a gente vive, trazendo o lado bom, sem romantizar. Não queremos carregar o estigma da violência”, explica ele, nascido e criado no Morro do Banco, no Itanhangá, reforçando que não há um tiro sequer e que a classificação indicativa é livre.  “Queremos ampliar a presença desses jovens na indústria dos games, não só como consumidores ou profissionais contratados, mas também como criadores de conteúdos e produtos que possam alcançar diferentes públicos”, destaca Danilo.

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