Adultos aderem ao álbum da Copa e movimentam troca-troca de figurinhas

Os jogos só começam no dia 11 de junho, mas milhares de fanáticos já vivem um clima de competição mais amigável e cheio de nostalgia

Por Sergio Loureiro 22 Maio 2026, 10h59 | Atualizado em 22 Maio 2026, 11h12
Gabriel Bruno figurinhas crédito Ana Paula Amorim.jpg
 (Ana Paula Amorim/Veja Rio)
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A Copa do Mundo só começa no dia 11 de junho, quando as seleções do México e da África do Sul adentrarem o estádio Azteca, na capital mexicana, mas o imaginário que cerca o torneio já pode ser notado nas ruas pintadas de verde e amarelo e na movimentação incomum nas bancas de jornal.

Milhares de fanáticos já vivem um clima de competição, digamos, mais amigável: o do álbum de figurinhas. A julgar pelos interessados, o que antes era um território infantil passou a ser dominado pelos adultos, que se espalham pela cidade carregando suas pilhas de figuras repetidas.

Escritórios, shoppings e até corredores hospitalares viram palco do ritual afetivo que atravessa gerações.

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Adultos em campo: depois de trocar no plantão, o médico Gabriel Bruno foi até o Botafogo Praia Shopping numa noite de sexta em busca de mais parceiros de “intercâmbio”, enquanto Vinicius Bernardo passa a paixão para o filho, Francisco (Ana Paula Amorim/Veja Rio)

O médico Gabriel Bruno, de 25 anos, conta que no local onde trabalha toda a equipe está envolvida nesta onda. “Enfermeiros, técnicos, médicos, fisioterapeutas… nos reúnimos nos intervalos para trocar”.

Pudera: para completar o álbum, é preciso desembolsar no mínimo 1 004,90 reais — são 980 cromos e a versão mais barata do livreto custa 24,90 reais.

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Por trás dessa moda que volta a cada quatro anos, quase sempre existe uma memória afetiva.

O administrador Vinicius Bernardo, 40, coleciona desde a Copa de 1990 e, agora, transmitiu a paixão para o filho, Francisco. “É um hábito que evoca nostalgia.

Meu pai me levava até a banca e já ficava esperando chegar mais alguém para que a gente pudesse trocar as figurinhas”, recorda Bernardo, que adora revisitar os álbuns antigos. “Foi um legado que passou para o meu filho”, ressalta.

Além do componente emocional, o prazer de preencher espaços vazios ativa mecanismos de recompensa ligados a lembranças do passado e ao senso de realização, como explica Breno Sanvicente-Vieira, professor do departamento de psicologia da PUC-Rio.

“É como se disséssemos ‘aquela criança que eu era ainda está em mim. Muitos adultos se engajam com o álbum numa realidade financeira que não possuíam antes. Então, reparar algo que não foi possível na infância também é um resgate válido”, aponta.

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 O circuito de trocas ganhou estrutura profissional. Shoppings transformaram espaços de convivência em arenas improvisadas de negociação. O MetrôRio instalou mesas decoradas nas estações Carioca, Uruguaiana, Central e Pavuna.

“Recebemos muitas famílias no fim de semana, então resolvemos estimular a troca entre elas”, aponta Diana Litewski, sócia-proprietária do bar Tijolada, em Ipanema, que organiza sessões dedicadas às figurinhas aos sábados, a partir das 15h.

À esquerda, uma mão segura figurinhas de jogadores de futebol da Turquia. À direita, um homem sorridente de boné vermelho e uma mulher de cabelos longos e loiros posam em frente a uma loja chamada
Pontos de troca: o MetrôRio instalou mesinhas em quatro estações, já o bar Tijolada, de Thomas Troisgros e Diana Litewski, em Ipanema, tem sessões na tarde de sábado (MetrôRio e Tomás Rangel/Divulgação)

O novo álbum é o maior da história: são 112 páginas e quase trezentos cromos a mais do que na Copa do Catar, sendo 68 especiais (detalhes no box). O novo formato do torneio, que agora conta com 48 seleções — em 2022 foram 32 —, justifica o acréscimo.

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Engana-se quem pensa que a transação é simples. Cada cromo tem um valor simbólico, a depender do jogador estampado ou da raridade de sua circulação.

Os legends são o grande objeto de desejo — e especulação: figurinhas de Vini Jr., Messi e Mbappé chegam a custar 600 reais na internet.

“A gente fica na ansiedade de conseguir essas, porque dá para trocar por mais figurinhas e até por dinheiro”, relata o médico Gabriel Bruno, acrescentando que na Copa passada conseguiu vender três legends por 500 reais, o que o ajudou a arcar com metade do investimento. Na era dos feeds infinitos, abrir um envelope é uma espécie de resistência analógica.  

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(./Divulgação)

Repetida? Aqui não! 

Curiosidades sobre o álbum da Copa 

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Pacotes a 7 reais. O envelope vem com sete figurinhas, o equivalente a 1 real por cromo. O aumento foi de 25% em relação a 2022. 

O diamante dos colecionadores. Algumas versões raras com craques já aparecem sendo revendidas por até 600 reais na internet. 

cristiano ronaldo legend credito panini divulgacao.jpeg (1)

É o maior da história. São 112 páginas e 980 cromos, número recorde da coleção da Panini, que encerrou o contrato com a Fifa e não produzirá mais a partir de 2030. 

Neymar na Copa? Não no álbum: o atacante santista não ganhou figurinha oficial desta vez. 

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Existem versões diferentes. Brochura sai a 24,90 reais; capa dura a 74,90 reais e a edição especial, prateada ou dourada, custa 79,90 reais. 

Messi, Mbappé, Cristiano Ronaldo e Vini Jr. Lideram a caça. Os principais craques costumam ser as figurinhas mais difíceis de conseguir nas trocas. 

Enciclopédia. Por ser disputado em três países — Canadá, Estados Unidos e México — há cromos especiais dedicadas aos dezesseis estádios do torneio. 

É também o mais caro. Por causa das repetidas, completar o álbum pode passar dos 2 000 reais, considerando que sobrarão repetidas. 

Há 68 figurinhas especiais. Entre elas estão versões metalizadas, holográficas e as disputadas legends.

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