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Rita Fernandes Por Rita Fernandes, jornalista Um olhar sobre a cultura e o carnaval carioca

Tô me guardando pra quando o carnaval chegar

Em 2021, vou conhecer o Loló de Ouro, tocar alfaia no Tambores de Olokun, ser cigana no Charanga Talismã. Vou ser tudo o que eu quiser e muito mais

Por Rita Fernandes - 6 abr 2020, 16h33

Chico Buarque cantava, em 1972, ainda tempos sombrios no Brasil: “Quem me vê sempre parado, distante, garante que eu não sei sambar…Eu tô só vendo, sabendo, sentindo, escutando e não posso falar… Eu vejo a barra do dia surgindo, pedindo pra gente cantar… Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada, quem dera gritar. Tô me preparando pra quando o carnaval chegar”.

Eu também tô me preparando pra quando o carnaval chegar. Hoje, de uma forma diferente, a música que o Chico fez para o filme “Quando o carnaval chegar”, de Cacá Diegues, faz muito sentido. A gente olha em volta e não vê alegria. A gente quer ir, mas não pode sair. A gente quer tanta coisa e não pode fazer. Mas o carnaval sempre chega. E, por aqui, se depender dos blocos e dos foliões, parece que vai chegar assim que essa pandemia passar.

Enquanto isso, o carnaval tem sido tema de lives pra lá de interessantes na página About Carnaval. É o projeto About em Quarentena, por onde já passaram Yuri Genúncio, do Charanga Talismã, Marcelo Ceará, que fundou o Gravata Florida, em homenagem a Jorge Benjor, Chico Nogueira, que criou o Pérolas da Guanabara, e a rainha das pernaltas, a querida Raquel Poti e o seu pequeno Tiê.

Gregorio Duvivier
Foi na live com o Gregório Duvivier, folião inveterado, que fiquei sabendo do Loló de Ouro Foto Renata Feler/About A Visit/Arquivo pessoal

Foi na participação do Gregório Duvivier, folião inveterado, que fiquei sabendo de um bloco que surgiu por acaso esse ano, e que imagino deve ter sido pra lá de bom. O nome – como é de praxe em bloco de rua – já chamou a atenção: Loló de Ouro. Na conversa, conduzida pelo casal Marcelo Cebukin e Tatiane Meyer, ele contava que na segunda-feira, aquele que é considerado o dia mais fraco do carnaval, o bloco simplesmente aconteceu.

O grupo de amigos estava no Bar Delas, na Gamboa, esperando a chuva passar. E, de lá, saíram tocando, sem nada planejado, numa volta ao quarteirão. Duvivier com seu trombone, Tomás Ramos – o multi presente músico dos blocos – com seu sax, Aran Rotband, com sua caixa, China, no surdo, Giovana e Cynthia no ganzá, Valentina com o xequerê. Uma confluência de músicos e foliões amigos e anônimos foram se juntando, até que um mais ousado gritou “loló de ouro, loló de ouro”, logo acompanhado pelos demais. O bloco estava batizado. No relato do Gregório, eu ia experimentando aquele cortejo como se tivesse estado lá.

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“Liberdade pra pensar os rumos do mundo Paciência pra junto poder navegar Amizade pra ver o que é mais profundo E coragem pra fazer o mundo mudar” Chico Oliveira . Homenagem feita pelo bloco Oi, Tavinho antes de começar o seu cortejo ontem pelas ruas de Santa Teresa… Impossível ver esse vídeo sem se emocionar! Viva, Chicão!!!! . 🛸: @renatafeler . #aboutcarnaval #aboutrio #aboutavisit #meudoceacabahoje #cartelanova #carnaval #carnavalderua #riodejaneiro #blocos2020 #agendacarioca #carnavalrj #ocupacarnaval #segueobloco

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A delícia desses encontros espontâneos só acontece no carnaval. A gente olha pro lado e vai se deparando com amigos novos. Um tem o sax, o outro o trombone, o corsário perdido encontra a rainha de Sabá, a moça da saia de chita se junta com a moça dos laços de fita…e assim, vão se construindo afetos nesse território livre que é o carnaval.

Há muitos blocos novos no Rio e é nesses que eu quero estar. Por que o que eu ando com vontade mesmo é de brincar o carnaval. Quero o riso e a alegria, a fantasia, a música, a arte, a rua. Sair por aí até ver onde vai dar. Em 2021, vou no Loló de Ouro, já decidi. Vou tocar alfaia no Tambores de Olokun, do querido Garnizé, que traduz em carnaval as levadas musicais dos maracatus de Pernambuco os e os ensinamentos do candomblé. Vou ser cigana lá em Vila Kosmos, no Charanga Talismã, vou ser tudo o que eu quiser.

Em 2021, vou ser cigana no Charanga Talismã Foto Renata Feler/About a Visit/Arquivo pessoal

Para quem está com saudade disso tudo, hoje tem a última live do About em Quarentena, às 19h, com o multi-instrumentista Gabriel Gabriel, um dos fundadores do Amigos da Onça. Depois, será lançado, na mesma página, o AboutQuim, que começa no dia 8 de abril, com Tarcisio Cisão, e segue com Julio Secchin, Caê Mancini, Jean Beyssac e Rita Gama, Julio Barroso e muito mais.

Aproveito esse espaço para saudar os músicos de todas as vertentes que aportaram no carnaval de rua, trazendo sua arte e sua coragem. Que falta tudo isso me faz! Nesses tempos sem cor, acho que estamos todos nos guardando, com dificuldades, mas com muita consciência, pra quando o carnaval chegar. E ele sempre chega. E eu estarei lá! Evoé!

Aí vai uma lista de blocos pra quem quiser conhecer:
http://bit.ly/lolodeouro20
http://bit.ly/cpfdocrivella20
http://bit.ly/gravataflorida20
http://bit.ly/cartelanova20
http://bit.ly/blocodosouza20
http://bit.ly/noitesdonorte20
http://bit.ly/charanga20
http://bit.ly/meudoce20
http://bit.ly/mimchamadeoutronome
http://bit.ly/xepagurmet
http://bit.ly/agitala
http://bit.ly/ohgloria20
http://bit.ly/caxiasuoterplanet
http://bit.ly/oitavinho

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