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Julia Golldenzon Por Julia Golldenzon, estilista carioca

Conforto em alta: a volta da sandália Birkenstock

Sandália ortopédica criada por tradicional marca alemã é queridinha das celebridades na pandemia

Por Julia Golldenzon Atualizado em 10 dez 2020, 14h15 - Publicado em 10 dez 2020, 14h11

Num ano tão complexo como 2020, o conforto foi o conceito que dominou a moda. Estilistas repensaram coleções, oferecendo looks mais fáceis de usar. Em casa, as pessoas deram preferência a peças confortáveis e aconchegantes. Nos pés, nada de salto alto, que aliás teve queda considerável nas vendas. Ficamos literalmente de pés no chão. Na porta de casa deixamos só os sapatos mais úteis: chinelo, tênis e algum calçado fácil de tirar e pôr. Foi assim que a Birkenstock voltou à cena com tudo!

Basta espiar fotos de celebridades para conferir que a sandália, no modelo Arizona, voltou a ser queridinha. Grazi Massafera combinou a sua com vestido de seda vermelho esvoaçante para fazer compras nos Jardins, em São Paulo. Fiorella Mattheis calçou seu modelo prateado combinado a um tubinho florido de alcinha para passear com o cachorro. Katie Holmes e Kendall Jenner circularam em Nova York de Birken e máscara. Não é à toa que vemos tantas modelos e atrizes usando o calçado, até porque não são só elas que adotaram. Na pandemia, as pesquisas pela sandália Birkenstock aumentaram 225%, segundo o portal The Lyst Index, um ranking que lista marcas e produtos mais desejados dos consumidores.

De calçado ortopédico a item fashionista. A peça que ganhou status de alta moda, tendo feito parcerias com grandes marcas internacionais este ano, como Valentino e Proenza Schouler, já foi patinho feio. Com solado feito de uma mistura de cortiça com látex, revestida de camurça e com tiras de couro reguladas por fivelas de metal, ela tem uma vantagem que na pandemia foi crucial: sua palmilha contornada tem formato anatômico e é muito confortável, se encaixando perfeitamente aos pés.

Com quase 250 anos de história, a marca alemã foi fundada por Johann Adam Birkenstock, que em 1774 começou a fazer sapatos sob medida, como era de praxe. O negócio passou de pai para filho e só começou a ganhar fama quando o neto de Johann resolveu produzir palmilhas ortopédicas para vender em Frankfurt no final do século XIX – na época os solados dos sapatos eram retos, sem o contorno do arco do pé. A Primeira Guerra foi essencial para os negócios, quando eles forneceram palmilhas ortopédicas para soldados feridos, tornando-se mais conhecidos na comunidade médica. Somente em 1965 eles lançaram a sandália como este formato anatômico, com este solado macio de látex e cortiça que absorve o impacto. O modelo Arizona foi desenvolvido nos anos 70 pela representante da marca nos Estados Unidos, responsável por difundir a Birken Arizona na comunidade hippie. Nos anos 80, com a onda disco, elas passaram a ser consideradas feias e só começaram a retomada fashion, com idas e vindas, a partir dos anos 90.

A pandemia encontrou neste modelo da marca e também nas sandálias tipo papete o calçado perfeito: prático e confortável. A peça, que já foi parar até no palco do Oscar, fica melhor com looks mais descontraídos, como jeans e camiseta. Ao usar com vestidos, dê preferência a modelos mais curtos e femininos, apostando num equilíbrio entre delicadeza e robustez. estas sandálias ficam ótimas com calças mais curtas, e ficam bem tanto com jeans quanto alfaiataria. Vamos combinar, em ano de pandemia, conforto nos pés vale muito!

Julia Golldenzon é estilista especializada em festas e noivas. Formada em Comunicação Social pela PUC-Rio, ela trabalhou em marcas como Farm e La Estampa e, desde 2013, tem um ateliê no Leblon, que leva seu nome.

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