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Gustavo Pinheiro Por Gustavo Pinheiro, escritor, dramaturgo e roteirista

De ‘mau’ a ‘Prior’: a crise do macho adulto branco sempre no comando

Míopes em suas estratégias kamikazes, Bolsonaro e Prior, do Big Brother Brasil, descobriram-se isolados

Por Gustavo Pinheiro - 1 abr 2020, 14h54

Felipe Prior foi eliminado da casa do Big Brother com quase 900 milhões de votos no mesmo dia em que Bolsonaro chorou no Palácio da Alvorada. Os dois escancaram a crise de liderança do “macho adulto branco sempre no comando”, como escreveu o Caetano, há mais de 30 anos.

Contrariando seu próprio governo, o presidente recomenda sair às ruas e a resposta que tem da população é o isolamento social. Resta a figura patética de um presidente lendo teleprompter, sem voz de comando sobre seu povo.

Prior foi perdendo os aliados no reality, um a um. A cada semana de paredão, caia um parça que pensava como ele. O único homem que permanece no programa é artista, negro e favelado.

Prior e Bolsonaro acreditavam que todos seriam obrigados a se curvarem a sua forma de ver o mundo. Míopes em suas estratégias kamikazes, escoraram seus comportamentos em séculos de “sabe com quem está falando?” e puxão de cabelo na boate. Apostaram alto. Foram para o tudo ou nada. Descobriram-se isolados. A ambos, sobraram os jogadores de futebol como claque.

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Eles não estão sozinhos na família-buraco (ou seria no buraco da família?). Trump, Giuseppe Conte, Crivella, Bispo Macedo e mais uma fileira de irresponsáveis amedrontados lhes fazem companhia.

O que Prior e Bolsonaro não entenderam é que o mundo mudou. O macho adulto heterossexual branco e rico no comando perdeu espaço para os LGBTQs, as mulheres, os negros, os favelados, os indígenas, os idosos. Para cada aloprado do Gabinete do Ódio a espalhar fake news, há a sensatez de uma Angela Merkel. Nairóbi avisou que o matriarcado estava começando, só não ouviu quem não quis.

A pilha de certezas do macho adulto branco ruiu. Emparedados pelo mais primordial instinto – a sobrevivência – o ser humano escolheu a ciência, a arte, a lógica e a razão no comando.

Gustavo Pinheiro é dramaturgo e roteirista.

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