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Gilberto Ururahy Por Gilberto Ururahy, médico Especialista em medicina preventiva

Dezembro Laranja: mês de prevenção ao câncer de pele

Especialista fala sobre como proteger a pele, o maior órgão do corpo humano

Por Gilberto Ururahy Atualizado em 8 dez 2020, 11h05 - Publicado em 8 dez 2020, 10h23

A MedRio Check Up comemora seus 30 anos de funcionamento neste 2020. Para marcar efeméride tão importante, criamos uma agenda de “Encontros Científicos com a Prevenção”, que acontecerão uma vez por mês, abordando diferentes especialidades médicas. Este mês, convidei o renomado colega Omar Lupi para falar sobre a prevenção ao câncer de pele, dentre outros assuntos. Boa leitura! – Gilberto Ururahy

 

Dezembro Laranja: mês de prevenção ao câncer de pele

O brasileiro ainda precisa aprender a cuidar melhor da pele. Quem faz o alerta é um dos profissionais mais experientes da área: o dermatologista Omar Lupi. Doutorado em dermatologia pela UFRJ, membro titular da Academia Nacional de Medicina, presidente da Sociedade Brasileira de Dermatologia no biênio 2009/10 e vice-presidente do Colégio Ibero Latino Americano de Dermatologia, Lupi destaca que não basta usar filtro solar, é preciso seguir um conjunto de comportamentos que, juntos, levam à prevenção do câncer de pele.

Segundo o INCA, o câncer do tipo não-melanoma é o tipo de tumor mais frequente no Brasil. No entanto, se identificado e tratado corretamente, não é fatal, pois pode ser removido cirurgicamente. A Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IARC) estima que 80% dos melanomas são causados pela radiação solar.

Conversamos com Lupi sobre esse e outros assuntos:

Qual a importância da campanha Dezembro Laranja?

O Dezembro Laranja é muito importante porque é um mês inteiro voltado para divulgar a prevenção do câncer de pele. E nossa realidade é que o brasileiro se protege pouco. Se compararmos com outros países que tem a mesma quantidade de sol durante o ano, a prevenção do brasileiro com a pele ainda é incipiente.

O que deve ser feito para prevenir o câncer de pele?

Fotoproteção é mais do passar filtro solar. É uma atitude que envolve outras estratégias, muitas delas, aliás, não envolvem custo financeiro. Por exemplo: escolher o horário mais apropriado para tomar sol, evitar se expor entre 10h e 14h, devido ao alto índice de raios ultravioletas nesse horário. Outro ponto é lembrar de usar bonés ou chapéus para proteger as áreas mais projetadas do rosto como nariz, testa e orelhas. Quando for a praia, deve priorizar as barracas mais espessas, que bloqueiem melhor a luz solar. Se fizer um passeio de barco ou uma caminhada, lembrar de usar camisas com proteção UV, ou simplesmente vestir uma camisa no momento de exposição mais intensa. Tudo isso é ir além do uso do filtro solar.

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E qual a forma correta de utilizar o filtro solar?

O modo correto é aplicar o filtro solar pelo menos meia hora antes de se expor ao sol e reaplicar o produto a cada duas horas de exposição solar.

Existem pessoas mais suscetíveis ao câncer de pele?

Sim. São vários os fatores que influenciam para se ter câncer de pele: depende da genética (é o caso de famílias com muitas ocorrências de câncer de pele, principalmente o melanoma), hábitos de vida, como tabagismo e consumo de álcool, além da cor da pele. São seis fototipos, que vão do 1 (pele muito claro) ao 6 (pele negra). A coloração está relacionada à melanina que há na pele e isso dá uma ideia razoável do risco: quanto menor o número, maior o risco.

Este foi um ano que as pessoas passaram boa parte do tempo em home office, com pouca exposição ao sol, mas muito às telas. Como isso influenciou na saúde da pele?

Telas de computador e de celular liberam radiação artificial, porém em pequena quantidade. Existe o risco, mas ele é baixo. Um dia de exposição ao sol equivale a um ano de exposição às telas, por exemplo. A quarentena forçada acabou evitando novos casos de câncer de pele. Por outro lado, a privação de sol é prejudicial à absorção de vitamina D e manchas de pele, como o melasma, podem piorar. Esperávamos uma grande redução dos casos de herpes labial, já que ele é desencadeado pelo sol, mas isso não aconteceu porque as pessoas estão mais estressadas e ansiosas, e a situação emocional também é gatilho para a herpes labial.

Muitos mitos cercam a saúde da pele. Qual deles é o mais nocivo?

Há uma crença popular de que o uso de plantas, como aroeira e carobinha, ajuda no tratamento da pele. Na verdade, muitas dessas plantas contém substâncias tóxicas e acabam tendo o efeito contrário, danificando a pele, com queimaduras e irritações. A indústria cosmética já testou todas essas plantas. O que faz bem para a pele já está sendo usado nos cremes que estão no mercado. Outro mito é o que relaciona a alimento com a acne. Existe a lenda que frituras, chocolate e amendoim, por exemplo, fariam mal à pele. No entanto, a gordura que há nesses alimentos não vai para pele. A gordura da pele é produzida pela glândula sebácea, não tem nada a ver com o que se come.

Para encerrar: o senhor tem 30 anos de profissão. Acha que o brasileiro aprendeu a cuidar da pele nestas três décadas?

Quando presidi a Sociedade Brasileira de Dermatologia, fizemos um estudo para saber mais sobre os cuidados do brasileiro com a pele. Apenas cerca de 20% das pessoas usam filtro regularmente. Boa parte deles não aplica o filtro de forma adequada. Só 10% usam o filtro por prescrição médica, a maioria segue a indicação de um amigo ou de uma publicidade. Quem compra um protetor solar dessa forma, possivelmente irá adquirir um produto que não é o mais adequado para a sua pele. As campanhas de prevenção tem ajudado na conscientização sobre o câncer de pele, mas acho que temos um longo caminho a ser percorrido. Ainda existe pouco conhecimento da população sobre os riscos do câncer de pele e da automedicação.

 

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