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Beco do Becoza Por Juarez Becoza, repórter de gastronomia popular e caçador de botequins

Hoje é Dia do Garçom, do novo Villarino e do velho Ramos

Data é marcada pela reinauguração do Villarino, casa histórica do Centro que tem Severino Ramos como um de seus ícones

Por Juarez Becoza Atualizado em 12 ago 2021, 11h54 - Publicado em 11 ago 2021, 17h44

Dia 11 de agosto é o Dia do Garçom. Como viver sem eles? – já diziam boêmios históricos como Reginaldo Rossi, Noel Rosa, Tom e Vinícius, só para citar alguns que respondem pelos versos mais famosos envolvendo este personagem crucial da nossa vida cotidiana.

A data passaria para mim quase em branco, nesses tempos de notícias cada dia mais bizarras, não fosse por uma concidência nada aleatória: hoje também é o dia da reinauguração da Casa Villarino, um dos bares mais icônicos do Rio, que estava fechado desde novembro do ano passado por causa da pandemia e acaba de ser recuperado ao nosso dia a dia pelo Senac (conforme noticiou a própria Veja Rio aqui), e abraçado pelo esforço da prefeitura em recuperar o centro da cidade. A casa agora se chama Clube Senac Villarino Bar. E o Senac, como se sabe, é o principal responsável pela formação de garçons profissionais no Rio.

Por isso, a reinaguração justo hoje, a partir das 17h, definitivamente não é aleatória, ainda que inconsciente. Sem saber, o Senac homenageia todos os garçons, na figura de um de seus mais representativos: o galante Severino Ramos (este mascarado aí da foto), um dos mais simpáticos, prestativos e competentes atendentes de alegrias e de mágoas que a cidade já teve, e que há mais de 40 anos presta seus valiosos serviços ao Villarino.

Muita gente adora dizer que o Ramos se parece com o Marlom Brando. Eu, que o conheci nos idos de 1999, quando comecei a frequentar o Villarino quase  todas as tardes, dizia que era o Marlon Brando que se parecia com o Ramos.

A conversa agradável, as histórias supreendentes e a gentileza à toda a prova são a marca do sujeito que adora apresentar o bar como um templo, cujo altar é a mesa onde Tom e Vinícius tomaram o primeiro uísque juntos, numa cena que ele descreve como se tivesse sido ele a virar o dosador aos gênios – coisa que não aconteceu, pois que o Ramos não é tão velho assim. Não por acaso, contudo, ele desenvolveu relação de verdade com alguns dos herdeiros da dupla – como por exemplo a jornalista Maria de Moraes, filha mais nova de Vinícius, que se tornou uma amiga próxima do garçom.

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Na reinauguração de hoje, Ramos não estará presente. Só retoma o posto daqui a alguns dias. O que não invalida a inauguração e a homenagem. E eu não perco por esperar voltar ao bar depois de quase um ano e ser recebido por ele com aquele sorriso – caramba, não é que é idêntico ao do Marlon mesmo? – de quem sabe o que você fez no verão passado, e aqueles olhos de quem diz: “porra, há quanto tempo que não vens aqui!”

Coisas que só lugares mágicos como o Villarino, com pessoas especiais como o Ramos, fazem pelo nosso espírito. Nessa reabertura, a casa volta remodelada, com horário restrito (das 17h às 20h), e lotação reduzida na área interna (só 20 pessoas no salão). Mas com a mesma seleção de petiscos simples e bem botequeiros, os pratos tipicamente cariocas e a mesma decoração interna de sempre. Inclusive com a famosa mesa de Tom e Vinícius, pra gente sentar e se teletransortar no tempo, ao sabor de uma dose de Black and White, cujos famosos “terriers” do rótulo inspiraram o poetinha a criar um de seus mais famosos pensamentos: “O uísque é o cachorro engarrafado”.

Histórias que, se você ainda não conhece, basta perguntar pro Ramos que ele conta, enquanto te enche o copo.

 

 

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