Quem foi Guto Graça Mello, produtor musical morto aos 78 anos

Além de trilhas de novelas, diretor produziu mais de 500 discos da MPB, entre sucessos de Rita Lee, Roberto Carlos, Maria Bethânia e o primeiro LP de Xuxa

Por Redação VEJA RIO Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 6 Maio 2026, 13h03 | Atualizado em 6 Maio 2026, 14h02
Guto Graça Mello
Guto Graça Mello: compositor do tema musical do "Fantástico", diretor também elaborou trilhas sonoras de novelas e produziu mais de 500 discos da MPB (Redes Sociais/Reprodução)
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Morreu nesta terça (5), no Rio, aos 78 anos, o produtor e diretor musical Augusto César Graça Mello, mais conhecido como Guto Graça Mello. Um dos principais nomes da música na televisão brasileira, responsável por transformar trilhas sonoras de novelas em fenômenos de público e mercado, Graça Mello estava internado no Hospital Barra D’or, na Barra da Tijuca, há mais de um mês.

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A família informou ao site G1 que a causa da morte foi uma parada cardiorrespiratória. Ele deixa viúva a atriz Silvia Massari, duas filhas e dois enteados.

 

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O casal Sylvia Massari e Guto Graça Mello (Cristina Granato/Divulgação)

De João Gilberto a Tom Jobim, de Xuxa a Padre Marcelo Rossi. Ao longo de mais de cinco décadas de carreira, Guto Graça Mello produziu mais de 500 discos, entre sucessos de autores como Rita Lee, Roberto Carlos e Maria Bethânia. Em parceria com o também produtor musical Mariozinho Rocha, escreveu canções gravadas por Elis Regina e Nara Leão.

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Graça Mello entrou para a história por ter composto o tema original do programa Fantástico, com Boni, então diretor-geral da emissora, como letrista — a melodia chegou para ele na noite de 23 de dezembro de 1972, no silêncio da Maternidade Clara Basbaum, em Botafogo, ao violão, diante do berço da filha recém-nascida.

Filho dos atores Stella Graça Mello e Octávio Graça Mello, Guto nasceu em 29 de abril de 1948 e abandonou o curso de Arquitetura na UFRJ para se dedicar à música, começando a compor em 1960.

O diretor começou a trabalhar na Globo em 1972, como produtor musical do programa Viva Marília, de Marília Pêra. No ano seguinte, assinou sua primeira trilha sonora de novela, Cavalo de Aço, ao lado de Nelson Motta.

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A partir daí, fez para a Som Livre (gravadora da TV Globo) as trilhas de sucessos como Gabriela, Pecado Capital, Saramandaia e Estúpido Cupido. Foi em Gabriela que, além de encomendar a abertura a Dorival Caymmi, Graça Mello incluiu a música Alegre Menina, musicada por Dori Caymmi a partir de um poema de Jorge Amado, um dos primeiros sucessos de Djavan.

Em Pecado Capital, de 1975, encomendou a música-tema a Paulinho da Viola, que fez em poucas horas o samba dos versos dinheiro na mão é vendaval. O repertório da trilha foi todo montado em três dias.

Nos anos 1980, além de atuar na direção musical dos festivais de canção MPB 80 e MPB Shell, Guto Graça Mello seguiu produzindo trilhas sonoras para a TV Globo, como as dos programas infantis Pirlimpimpim e Pirlimpimpim II, Plunct, Plact, Zuuum…, Plunct, Plact, Zuuum… II e A Turma do Pererê. Também montou as trilhas das minisséries O Tempo e o vento, composta por Tom Jobim; e a de Tenda dos milagres, com canções inéditas de Dorival Caymmi, Caetano Veloso, entre outros.

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Graça Mello deixou os cargos de diretor musical na Globo e na Som Livre em 1989 e, além do trabalho na TV (participou do reality musical Fama e da série Som Brasil), seguiu produzindo discos e também fez trilhas para mais de 30 filmes, como O beijo no asfalto (1981), O Cangaceiro Trapalhão (1983), Cazuza – O tempo não para (2004) e Se eu fosse você (2006). Em setembro, a Globo Livros espera lançar a biografia de Guto Graça Mello, A MPB que ninguém ouviu, escrita pelo jornalista Claudio Henrique.

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