Morre o jornalista e membro da ABL Zuenir Ventura, aos 95 anos

Uma das maiores referências do jornalismo brasileiro, o escritor morreu em casa, no Rio de Janeiro, em decorrência de uma pneumonia

Por Redação VEJA RIO Materia seguir SEGUIR Materia seguir SEGUINDO 22 set 2026, 11h26
Homem idoso de cabelos brancos e calvície parcial, vestindo camisa social clara, posa em preto e branco com estantes de livros ao fundo. Ele tem expressão séria e olha diretamente para a câmera
Luto: Morre Zuenir Ventura. aos 95 anos. (Bel Pedrosa/Divulgação)
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Morreu na manhã desta terça-feira (22) o jornalistaZuenir Ventura, aos 95 anos. O escritor morreu em casa, no Rio de Janeiro, em decorrência de uma pneumonia.

Uma das maiores referências do jornalismo brasileiro, Ventura é autor de livros como 1968: O ano que não terminou, Cidade partida e Chico Mendes: crime e castigo.

Em 2014, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL) e no ano seguinte passou a ocupar a cadeira 32, sucedendo Ariano Suassuna.

Natural de Além Paraíba, em Minas Gerais, nasceu em 1º de junho de 1931. Carioca por escolha, aos 20 anos chegou à cidade para cursar letras neolatinas na UFRJ.

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Desde os anos 1950, atravessou mais de seis décadas de imprensa e passou por algumas das principais redações do país, como Jornal do Brasil, IstoÉ, O Globo e Veja.

O velório será realizado nesta quarta-feira (23), na sede da ABL, no Centro da cidade. O escritor será enterrado no mausoléu da instituição, no Cemitério São João Batista, em Botafogo.

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Filho de um pintor de paredes, quando menino trabalhou na profissão. Nos anos seguintes, foi contínuo, arquivista e professor antes de finalmente ingressar na célebre trajetória no jornalismo brasileiro.

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Na antiga Faculdade Nacional de Filosofia — hoje integrada à UFRJ —, foi aluno de nomes como Manuel Bandeira, Alceu Amoroso Lima e Cleonice Berardinelli.

Preso em dezembro 1968, após edição do AI-5, Ventura transformou o encarceiramento pela Ditadura Militar na obra mais conhecida de seu catálogo. Publicado em 1988, 1968: O ano que não terminou reconstrói os acontecimentos políticos e culturais daquele ano a partir de depoimentos, memória e investigação jornalística. O livro é um clássico da reportagem brasileira e ganhou as telas na minissérie Anos Rebeldes, de Gilberto Braga.

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A combinação entre reportagem e livro marcaria outros momentos de sua obra. Em 1989, o jornalista foi ao Acre investigar o assassinato do líder seringueiro Chico Mendes. A cobertura para o Jornal do Brasil recebeu os prêmios Esso e Vladimir Herzog e, anos depois, foi retomada em Chico Mendes: crime e castigo.

No Rio, Ventura passou meses frequentando a comunidade de Vigário Geral após a chacina de 1993.

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As observações sobre as relações entre violência, desigualdade, tráfico e moradores deram origem a Cidade partida, em 1994, que o rendeu um Prêmio Jabuti na categoria Reportagem.

Em 2026, sua vida e sua obra foram tema de um documentário dirigido por Zelito Viana e exibido pela própria ABL durante a Festa Literária Internacional de Niterói (Flin), em agosto. Intitulado Mestre Zu, o filme faz referência ao apelido carinhoso que recebeu dos alunos da UFRJ e da Uerj, onde foi professor.

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