Dinho Ouro Preto cobra desfecho para caso Vorcaro
Após Rock in Rio, vocalista do Capital Inicial diz que falta de fé nas instituições pode alimentar radicalismo:"isso não pode ser varrido pra debaixo do tapete"
O show do Capital Inicial no Rock in Rio foi na última sexta (4). Mas o discurso de Dinho Ouro Preto antes de cantar “Que País É Este?”, sucesso da Legião Urbana que atravessa gerações e segue atual, continua reverberando. Fechando a programação do Palco Sunset no primeiro dia de festival, o vocalista da banda dedicou o “hino de Renato Russo a Daniel Vorcaro, ao Supremo Tribunal Federal e a políticos de diferentes espectros”. E contou à VEJA RIO o que o levou a subir o tom.
+ Para receber VEJA RIO em casa, clique aqui
“Eu me senti obrigado a fazer aquele comentário. Nossa república pressupõe que todos nós brasileiros somos iguais. A nossa democracia funciona partindo do princípio que nossas instituições representam os direitos e deveres de todos os cidadãos brasileiros. Não existem exceções. As regras valem para todos”, destacou o cantor. Para Dinho, o mais grave é a desilusão: “É a perda de confiança nas instituições. É o país começar a achar que não há solução, o que, por sua vez, alimenta o radicalismo”.
A fala veio em um show especialmente simbólico. O vocalista do Capital Inicial recebeu Dado Villa-Lobos, guitarrista da Legião Urbana e seu “irmão” (o pai de Dinho se casou com a mãe de Dado), para lembrar os 30 anos da morte de Renato Russo. Juntos, revisitaram músicas da banda que ajudaram a transformar o rock de Brasília em trilha sonora de várias épocas, como “Será” e “Tempo Perdido”. E aí veio a deixa perfeita: “Que País É Este?”, escrita por Renato Russo ainda nos tempos do Aborto Elétrico, banda que deu origem à Legião e ao Capital. Quase 40 anos depois, a pergunta continua sem prazo de validade.
“Em nome da democracia é preciso mostrar aos braseiros que, especificamente e principalmente nesse caso do Vorcaro, que aparentemente corrompeu várias das mais altas autoridades dos três poderes, que isso tudo não vai ser varrido pra debaixo do tapete. O desafio é imenso, mas a alternativa é o ceticismo e o cinismo, que, por sua vez, podem abrir as portas ao colapso da democracia. E de autoritarismo queremos distância”, frisa Dinho.
Apesar das mais quatro décadas de estrada e de dez edições do Rock in Rio no currículo, Dinho ainda admite o velho frio na barriga. “Eu sou parcimonioso e cauteloso assim porque fico sempre muito nervoso antes de um evento dessa dimensão”, revela o cantor, que tem 62 anos e não fugiu de casa.






