Clique e assine por apenas 4,90/mês

Coronavírus: ‘Isolamento social não tem cabimento’, diz deputado Luiz Lima

Eleito com apoio da família Bolsonaro, ex-nadador defendia em março as medidas restritivas tomadas pelo governador Wilson Witzel; 'Mudei de ideia', diz

Por Cleo Guimarães - 22 abr 2020, 14h17

Mais de 260 mil pessoas já visualizaram o vídeo postado nesta terça-feira (21) pelo deputado federal Luiz Lima. Nele, o ex-nadador conta a sua versão para a detenção da mulher, Milene Comini, na Praia de Copacabana – ela nadava com a filha do casal, que é atleta do Fluminense, e foi conduzida à delegacia do bairro por desrespeito ao decreto do governo do estado que proíbe a população de ir à praia e a áreas públicas de passeio. Eleito com mais de 115 mil votos e o apoio da família Bolsonaro, Luiz Lima conversou com VEJA RIO.

No vídeo, você chama o governador Wilson Witzel de “escroto, destemperado, desequilibrado e corrupto”. Hoje, de cabeça mais fria, arrepende-se do tom usado para criticá-lo? Não me arrependo nem um pouco do que disse. Nem da forma nem do conteúdo. Falei com o coração. Na verdade, eu me segurei para não falar mais, me controlei. Estava emocionado e indignado. É um exagero o que está acontecendo no país. Estão fazendo uso político do que estamos vivendo.

PM diz que levou ‘carteirada’ de mulher de deputado detida na praia

Por mais que não concorde com o decreto, não avalia que, como político, deveria respeitá-lo, até para dar o exemplo? Não, porque eu acho um contrassenso isso tudo. As pessoas estão andando no calçadão, você anda pela cidade e vê um monte de morador de rua… Minha filha é atleta da seleção brasileira de natação e estava treinando no mar, como muitos atletas estão fazendo pelo país: treinando em mares e lagoas. O mar não está sob responsabilidade da prefeitura ou do governo. Ele é da União. E não há no decreto nada escrito sobre a proibição de nadar no mar. Fala em praia, mas em mar, não. Ninguém pode impedir.

Continua após a publicidade

Você é contra o isolamento social e as medidas restritivas de circulação? Sou totalmente contra. Totalmente. Eu sei fazer conta, sei calcular. As consequências desta paralisação vão ser muito mais sérias do que a Covid em si, parar o país acaba sacrificando 99.9% da população.

Quarentena: mapa do Centro de Operações registra aglomeração na Zona Sul

No final de março você defendia o isolamento e chegou a postar em seu Instagram uma foto da Praia de Copacabana vazia. Na legenda, agradeceu e parabenizou a sociedade por ficar em casa. Não foi o único post em que defendeu as restrições de circulação. O que te fez mudar tão radicalmente de ideia em tão pouco tempo? A projeção era que a doença seria bem mais letal aqui no Brasil, era uma outra perspectiva. Mudei de ideia quando comecei a perceber que o desemprego e a quebra da economia gerariam muito mais complicações a  longo prazo do que os números de mortes do Covid. Os números não justificam os gastos, as pessoas estão morrendo de fome e sem poder trabalhar.  Não tem cabimento isso que está acontecendo no estado do Rio, e em outros estados também.

+ Para assinar o conteúdo digital de VEJA RIO, clique aqui.

Continua após a publicidade

Você acha que não tem cabimento as medidas tomadas no estado, em outros estados, no mundo inteiro, e defendida com veemência por cientistas, médicos, e pela OMS? Acho. Não tem cabimento porque estão ouvindo só um lado da ciência. Tem muitos cientistas e médicos que falam que o isolamento horizontal não serve para nada, vide a Itália e a Espanha, que fecharam totalmente e tiveram um número enorme de mortes. As pessoas estão passando fome. Tivemos 2 mil mortes no Brasil até agora (no levantamento de terça-feira, o número chegava a 2.741), se a gente dividir pelos mais de 5000 municípios do país, não dá uma morte por município. Não podemos sacrificar 99,9% da população por causa do Covid. Isso tudo mexe muito com o meu emocional.

Publicidade