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PM diz que levou ‘carteirada’ de mulher de deputado detida na praia

Esposa do deputado federal Luiz Lima (PSL), Milene Comini foi levada à delegacia por desrespeitar decreto de isolamento social do governador Wilson Witzel

Por Cleo Guimarães - 22 abr 2020, 11h55

A Polícia Militar contesta a versão apresentada pelo deputado federal Luiz Lima (PSL) numa publicação em sua rede social nesta terça-feira (21), na qual ele dá detalhes sobre a detenção de sua mulher, Milene Comini. Ela nadava na Praia de Copacabana e foi levada à 13ª DP por desrespeito ao decreto do governo do estado que proíbe a população de ir à praia e a áreas públicas de passeio por causa do coronavírus.

No Twitter, o ex-nadador chama o governador Wilson Witzel de “escroto, destemperado, desequilibrado e corrupto” e afirma que Milene Comini e a filha do casal, além “da Aninha e de seu filho”,  foram abordadas pelos policiais assim que saíram da água. “Saíram da praia de camburão. Duas mulheres e duas crianças”, declara Lima, em tom emocionado (veja o vídeo abaixo).

A PM nega que tenha conduzido à 13ª DP “duas mulheres e duas crianças”. De acordo com o porta-voz da Polícia Militar, coronel Mauro Fliess, foram levados à delegacia quatro adultos (um homem de 52 anos, três mulheres, de 53, 50 e 40 anos, e um adolescente do sexo masculino, de 13 anos). Milene, segundo a PM, não reagiu à abordagem do policial, mas fez questão de comunicar que é “esposa de deputado”. A PM também afirma que o grupo já estava na areia quando foi abordado – e que isso só aconteceu depois de advertências pelo microfone da viatura e de sinais feitos por apitos. “Nosso trabalho é de conscientização, geralmente as pessoas atendem ao nosso apelo, independente de concordar ou não com as medidas, porque é uma lei”, diz o coronel. Procurado por VEJA RIO, Luiz Lima nega que a mulher tenha dado uma carteirada nos policiais. “Ela é muito educada e tomamos muito cuidado com isso. Alguém na praia é que deve ter falado sobre o meu cargo.”

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A PM divulgou uma nota, e um dos trechos diz: “Com o intuito de cumprir as medidas de isolamento social para conter o avanço do novo coronavírus, conforme disposto no decreto estadual 47.027, de 13 de abril de 2020, a equipe iniciou o protocolo de conscientização e orientou que as pessoas se retirassem do local, o que não ocorreu. Diante da recusa, as pessoas foram conduzidas para a 13ª DP (Ipanema). Elas foram ouvidas e quatro delas autuadas no artigo 268 do código penal (infringir determinação do poder público, destinada a impedir introdução ou propagação de doença contagiosa)”. O governador Wilson Witzel não quis fazer nenhuma declaração sobre o vídeo em que é citado pelo deputado.

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