Os bastidores do casamento de Giulia Be e John Conor Kennedy no Rio
Entre o Cristo, a Igreja da Antiga Sé e um palacete no Jardim Botânico, casal prepara uma celebração à altura dos sobrenomes
O Rio será mais do que um simples pano de fundo para o casamento de Giulia Be e John Conor Kennedy, marcado para 10 de outubro, um sábado. Depois de uma celebração intimista que marcou a união civil em março, em Los Angeles, onde moram, os noivos desembarcam na Cidade Maravilhosa com uma penca de convidados americanos para um fim de semana de festejos.
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A programação passa por uma bênção com os familiares no Cristo Redentor e pela cerimônia religiosa na Igreja Nossa Senhora do Carmo da Antiga Sé, no Centro, palco de importantes capítulos da história do Brasil, como as coroações de D. Pedro I e D. Pedro II. Depois, os convivas seguem para a recepção de gala no Instituto Brando Barbosa, no Jardim Botânico, palacete do século XIX cercado por 12 000 metros quadrados de área verde, com remanescentes de Mata Atlântica e um acervo de mais de 6 000 peças ó a propriedade já foi apelidada de Taj Mahal carioca.
“Uma das primeiras coisas que disse ao Conor foi ‘meu amor, eu te amo, mas não vou me casar em Massachusetts”, contou Giulia, de 27 anos, em junho. Segundo a cantora, que reuniu as amigas em um castelo em Bordeaux, na França, para a despedida de solteiro, o noivo “ama o Rio”, cidade que o casal quer apresentar aos Kennedy e amigos estrangeiros que ainda não conhecem o Brasil. “A família dele tem costume de organizar regatas pré-casamento, mas se eu colocar meus parentes nessa aventura, vamos naufragar na Baía de Guanabara”, falou à VEJA RIO, enquanto divulgava seu último trabalho.
A escolha dos pombinhos, que se conheceram através da irmã de Conor em 2021 e trocaram longas mensagens pelo Instagram até se encontrarem pessoalmente, joga luz a um segmento que vem ganhando fôlego nestas bandas: quando a festa acontece fora da cidade onde os nubentes vivem. Há mais de quatro décadas no ramo e com bodas de famosas como Juliana Paes, Carolina Dieckmmann e Isis Valverde no currículo, o cerimonialista Roberto Cohen conta que, hoje, 40% de seus clientes não moram no Rio. Alguns deles chegam a contratar os espaços sem sequer visitá-los. “Noivos não compram bolo, doces, drinques, vestidos ou lembrancinhas. Noivos compram fotos”, resume Cohen, acrescentando que um evento de grande porte gera ao menos um emprego direto ou indireto por convidado.
As cifras são igualmente robustas. Nesse segmento, calcula-se que o custo fique hoje entre 3 000 e 5 000 reais por convidado, Dependendo da duração da festa, do menu, das bebidas e do nível da decoração. No Cristo Redentor, a procura por esse tipo de celebração também cresceu: Foram 128 matrimônios em 2025, um aumento de 14,2% em relação aos 112 do ano anterior. A lista de quem escolheu o monumento para subir ao altar inclui o DJ Alok e a médica Romana Novais, que se casaram ali em 2019, e a atriz Giovanna Lancellotti e Gabriel David, presidente da Liesa, em junho do ano passado.
A dimensão do enlace da cantora carioca com o advogado americano de 32 anos vai além dos cenários escolhidos. Há também os sobrenomes. Desde a oficialização, ela passou a assinar Giulia Marinho Kennedy, embora mantenha Giulia Be como nome artístico. Conor, que já namorou Taylor Swift, é filho de Robert F. Kennedy Jr., atual secretário de Saúde dos Estados Unidos, neto de Robert “Bobby” Kennedy (1925-1968) e sobrinho-neto de John F. Kennedy, presidente americano assassinado em 1963.
Há décadas, o clã ocupa um lugar singular no imaginário americano, numa história que entrelaça poder, política e A linhagem também é marcada por uma sucessão de tragédias que deram corpo à chamada “maldição dos Kennedy”. Além do crime mais famoso, Bobby, o avô do noivo, foi morto quando liderava a campanha presidencial, e John Kennedy Jr., filho de JFK, morreu em 1999 na queda do avião que pilotava, junto à mulher, Carolyn Bessette, e à cunhada, Lauren Bessette. Essa passagem, inclusive, virou série de sucesso do Disney+. A política também atravessa a família da noiva. Giulia é filha do empresário Paulo Marinho, primeiro suplente de Flávio Bolsonaro na eleição para o Senado em 2018, e irmã de André Marinho, candidato do Partido Novo ao governo do Rio neste ano. A acolhida dos Kennedy à brasileira, ao menos publicamente, tem sido calorosa. Em outubro do ano passado, Robert F. Kennedy Jr. usou seu perfil no X para divulgar primeiro single de Giulia Be em inglês, e escreveu que estava “muito orgulhoso” da futura nora. Uma união auspiciosa.
Os Kennedy no Rio
A relação do clã com a cidade vem de décadas atrás
Bem antes de Conor e Giulia Be se apaixonarem e escolherem a cidade como cenário do “sim”, os ancestrais do noivo já tinham se embevecido pelas maravilhas tropicais. Em 1941, aos 23 anos e duas décadas antes de chegar à Casa Branca, John F. Kennedy esteve por aqui com a mãe, Rose, e a irmã Eunice. Há até um registro do futuro presidente americano com o Pão de Açúcar ao fundo. Em 1964, seu nome passou a figurar de vez no mapa: criada durante o governo de Carlos Lacerda (1914-1977) para receber moradores removidos de favelas, a Vila Kennedy, na Zona Oeste, foi batizada em homenagem ao político, assassinado no ano anterior. O conjunto habitacional, a propósito, fez parte da Aliança para o Progresso, programa lançado por JFK para financiar projetos sociais na América Latina. Em novembro do ano seguinte, foi a vez de Robert “Bobby” Kennedy, avô de Conor, desembarcar no Galeão. Ele participou da inauguração do busto do irmão e da Ala Kennedy do Edifício da Amizade da PUC-Rio.







