TEATRO

Paixão pela palavra

Com ênfase no texto, Ana Kfouri leva ao palco a novela Primeiro Amor, de Beckett

Por: Rafael Teixeira - Atualizado em

AVALIAÇÃO ✪✪✪

foto Antonio Garcia/divulgação
(Foto: Redação Veja rio)

Não vem de hoje a relação da diretora e atriz Ana Kfouri com o universo de Samuel Beckett. Em 1989, ano da morte do autor irlandês, ela estreou Ponto Limite, em cujo texto se inseriam trechos de Esperando Godot, um dos seus maiores clássicos. A paixão pela obra do dramaturgo levou-a a conceber o que batizou de Projeto Beckett, a encenação de duas peças em cartaz no Teatro Poeirinha: Moi Lui e Primeiro Amor. Escrito em 1945 e publicado somente 25 anos depois, este último foi concebido, na verdade, como uma novela, e não como uma peça.

Sob a direção de Antonio Guedes, Ana encarna um homem defrontado com sua inabilidade de amar. Expulso de casa após a morte do pai, ele passa a vagar por cemitérios, à espera do próprio fim. Certo dia, conhece uma prostituta, por quem se apaixona. Quando eles passam a dividir a mesma casa, porém, aquele amor começa a desaparecer. Conhecida por sua dedicação ao teatro experimental e à investigação de linguagens, Ana não foge à regra aqui. A cenografia é crua, composta apenas de um banco em frente ao qual são projetados interessantes vídeos de Helena Trindade.

No estilo de um monólogo interior, o texto é por vezes árido, e o jorro de palavras pode ser desnorteante para espectadores acostumados com mais ação em cena. Sozinha, Ana fica sentada e quase não faz grandes movimentos durante os setenta minutos da sessão ? mas dá grande expressividade dramática ao que é dito através das mãos e do rosto.

Primeiro Amor (70min). 14 anos. Reestreou em 15/1/2013. Teatro Poeirinha (60 lugares). Rua São João Batista, 104, Botafogo, ☎ 2537-8053. Terça e quarta, 21h. R$ 20,00. Bilheteria: a partir das 15h (ter. e qua.). IC. Até dia 27.

Fonte: VEJA RIO