TEATRO

Oleanna

Texto de David Mamet mostra o jogo de forças entre um professor e uma universitária, em montagem dirigida por Gustavo Paso

Por: Rafael Teixeira - Atualizado em

AVALIAÇÃO ✪✪✪

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(Foto: Redação Veja rio)

Levado ao palco pela primeira vez em 1992, o drama foi descrito pelo próprio autor, o americano David Mamet, como ?uma tragédia sobre poder?. A definição é precisa: no jogo de forças ? às vezes quase invisível, mas sempre presente ? estão calcados os três atos meticulosamente engendrados da peça, aqui dirigida por Gustavo Paso. Tudo começa com um encontro entre a universitária Carol (Luciana Fávero) e seu professor (Marcos Breda) no escritório dele. A aluna reclama que não entende a matéria, apesar de toda a sua dedicação aos livros. Os dois travam um diálogo à primeira vista banal (exceto por algumas opiniões heterodoxas dele sobre o ensino superior), quando surge uma ideia para resolver o problema da moça. A situação, enfim, encaminha-se para um desfecho tranquilo, e assim parece até o segundo ato. Quando Carol reencontra o mestre, as circunstâncias envolvendo os dois são outras.

Não é possível contar mais sem entregar os surpreendentes meandros da trama. A direção de Paso opta pela valorização do que o texto oferece de melhor: o embate entre os atores, realçado pelo despojamento extremo do cenário disposto entre duas plateias, cercando o duelo que acontece no palco. No elenco, Breda se mantém mais linear, enquanto Luciana alcança com êxito todos os matizes de sua personagem (75min). 14 anos. Estreou em 14/3/2014.

Teatro Gláucio Gill (102 lugares). Praça Cardeal Arcoverde, s/nº, Copacabana, ☎ 2332-7904, ? Cardeal Arcoverde. Sexta a segunda, 20h. R$ 30,00. Bilheteria: a partir das 16h (sex. a seg.). Até dia 27.

Experiências: o diretor criou duas versões para a peça, alternadas durante a temporada. Em uma, Marcos Breda vive o professor. Na outra, o mestre vira uma mulher, interpretada por Miwa Yanagizawa

Fonte: VEJA RIO