O DURO QUE ELE DEU

Musical narra a vida do cantor Wilson Simonal

Primeiro ídolo negro da música nacional é mostrado em sua ascensão e glória, até cair em decadência

Por: Rafael Teixeira

AVALIAÇÃO ✪✪✪✪    

S'Imbora, o Musical A História de Wilson Simonal
Ícaro Silva, à frente: como Simonal, ele evoca o carisma do homenageado (Foto: Leo Aversa/Divulgação)

Entre os astros da canção brasileira homenageados recentemente, Wilson Simonal (1929-2000) talvez seja aquele cuja trajetória mais parece uma movimentada história de ficção. Jovem de origem pobre, tornou-se, nos anos 60, o primeiro ídolo negro da música nacional, até cair em decadência, acusado de colaborar com a ditadura militar como delator. Redimido nos últimos anos por meio de biografias e documentários (que reconhecem eventuais erros, mas resgatam seu talento de cantor), além do relançamento de discos, ele ganha o palco em S’Imbora, o Musical — A História de Wilson Simonal. O texto de Nelson Motta e Patrícia Andrade (de Elis, a Musical) não foge totalmente da cartilha dos recentes musicais biográficos, mas tem o mérito de preservar matizes da vida do homenageado e driblar o didatismo tão recorrente nesse tipo de espetáculo. A direção de Pedro Brício, que optou por formatar o roteiro final ao longo dos ensaios, se mostra, talvez por isso, mais orgânica e envolvente. Sem se render à imitação fácil, o jovem Ícaro Silva irradia tanto o notório carisma do homenageado, na defesa de canções como Meu Limão, Meu Limoeiro, Vesti Azul, Carango e Nem Vem que Não Tem, quanto a angústia da fase final de sua vida, na arrepiante (e menos conhecida) Cordão — todas as músicas muito bem arranjadas por Alexandre Elias. Espécie de narrador da história, o produtor Carlos Imperial é vivido por Thelmo Fernandes com a competência habitual (160min, com intervalo). 12 anos. Estreou em 15/1/2015.

Teatro Carlos Gomes (630 lugares). Praça Tiradentes, 19, Centro, ☎ 2224-3602. → Quinta a sábado, 20h; domingo, 18h. R$ 80,00 (qui., sex. e dom.) e R$ 90,00 (sáb.). Bilheteria: a partir das 14h (qui. a dom.).IC. CI. Até 12 de abril.    

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Fonte: VEJA RIO