TEATRO

O risco de viver

Embate ancestral entre a eterna juventude e a mortalidade está na base de Elefante, drama em cartaz no Espaço Sesc

Por: Rafael Teixeira - Atualizado em

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Philipp Lavra/divulgação
(Foto: Redação Veja rio)

Disse Sêneca: ?Apressa-te a viver bem e pensa que cada dia é, por si só, uma vida?. No drama Elefante, da Probástica Cia. de Teatro, atração no Espaço Sesc, o nome do filósofo batiza, apropriadamente, a cidade onde se exila o jovem Francisco (Igor Angelkorte, também diretor). Jovem, aqui, é um conceito relativo: ele já tem mais de 60 anos, mas, no lugar onde vive, há uma pílula que impede a decadência do corpo e a morte por velhice ou doença. Nessa sociedade criada pelo autor Walter Daguerre, porém, as relações são frias e as pessoas têm horror a qualquer risco, mesmo que seja o de comer um peixe com espinhas. Contra a vontade da mulher, Lúcia (Lívia Paiva), e dos pais (Samuel Toledo e Chandelly Braz), ele decide passar um tempo em Sêneca, onde enxerga a vida de verdade, em que pese o fato de que lá não existem as tais pílulas. Dez anos depois, ao retornar como um velho (Fernando Bohrer), ele impõe desafios morais e emocionais à família. A ancestral questão do embate entre uma vida eterna, mas vazia, e a mortalidade com significado se desdobra com sensibilidade na peça. Seguro, Angelkorte extrai boas atuações do elenco, com destaque para Bohrer, enternecedor, e Chandelly, hábil na transição entre a comicidade e a angústia (80min). 16 anos. Estreou em 31/8/2013.

Espaço Sesc ? Teatro de Arena (240 lugares). Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana, ☎ 2548-1088. Quinta a sábado, 20h30; domingo, 18h30. R$ 20,00. Bilheteria: a partir das 15h (qui. a dom.). Até dia 22.

Fonte: VEJA RIO