TEATRO

Acerto de contas

Um ex-casal desabafa com a plateia no instigante drama De Verdade ? A Mulher Certa

Por: Carlos Henrique Braz - Atualizado em

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(Foto: Redação Veja rio)

Nos palcos da cidade, um casamento desfeito pode dar em drama ou comédia. O ponto final na vida a dois, e o que vem depois dele, inspiram Doidas e Santas, Em Nome do Jogo, A História de Nós 2, A Peça do Casamento e Traição. Mais recente peça a engordar a lista, De Verdade ? A Mulher Certa é uma inspirada adaptação de Isabel Muniz e Susana Schild para o livro De Verdade, obra-prima de Sándor Márai (1900-1989), nome maior da literatura húngara. Acompanhados pelo músico Antonio Saraiva, ora ao piano, ora ao saxofone, Guilherme Piva e Kika Kalache dão vida a um homem e uma mulher separados há bastante tempo, não identificados por nomes. Eles se dirigem à plateia, um de cada vez, e relatam as razões que encontraram para o fim da união.

Ela, moça de classe média e submissa, fazia tudo para agradar ao marido. Comportando-se mais como uma secretária eficiente, tornou a convivência artificial. Ele, aristocrata e de gosto refinado, fala sobre as experiências malsucedidas com suas duas ex-mulheres: a dona de casa exemplar e a empregada de seus pais, Judith, por quem se apaixonara na juventude. Entre um depoimento e outro, cenas do cotidiano do casal ilustram a narrativa. Na direção, Marcio Abreu exibe boas ideias. Ele dá à distância entre os personagens uma dimensão física, ao acomodar os atores e o músico em pontos afastados do amplo cenário. Em outro acerto, valoriza o texto, levando a esposa a repetir palavras do marido, e vice-versa ? curiosamente, o sentido da fala varia, de acordo com quem a diz. A dupla em cena é bastante eficiente, mas Piva tem mais chance de mostrar serviço ao fazer também o papel do excêntrico, e galante, editor Salazar.

De Verdade ? A Mulher Certa (60min). 12 anos. Estreou em 13/4/2012. Espaço Sesc ? Mezanino (80 lugares). Rua Domingos Ferreira, 160, Copacabana, ☎ 2547-0156. → Quinta a sábado, 21h30; domingo, 20h. R$ 20,00. Bilheteria: a partir das 15h (qui. a dom.). Até domingo (6). O espetáculo fará temporada no Teatro Maria Clara Machado de 11 de maio a 3 de junho.

Fonte: VEJA RIO