TEATRO

O tempo não para

Montagem de Céu Sobre Chuva ou Botequim, de Guarnieri, é prejudicada pelo texto datado

Por: Rafael Teixeira - Atualizado em

AVALIAÇÃO ✪✪

Guga Melgar/divulgação
(Foto: Redação Veja rio)

Encenado pela primeira e única vez em 1973, Céu Sobre Chuva ou Botequim marcou época por sua ousadia temática. Autor do texto, o combativo Gianfrancesco Guarnieri (1934-2006) produziu uma pertinente metáfora dos tempos de ditadura militar através da história de um grupo de pessoas que se via confinado em um boteco durante um temporal, sem nenhuma notícia do mundo lá fora. Novamente com direção de Antonio Pedro Borges, a peça ganha remontagem quarenta anos depois, em cartaz no Centro Cultural Correios.

A iniciativa da atriz e produtora Márcia do Valle, idealizadora do projeto e também integrante do elenco, de resgatar um texto de valor histórico é, em si, digna de aplausos. Mas também é forçoso admitir que a trama, apresentada nos dias de hoje, soa datada. Terminada a ditadura, perderam muito de sua força as imagens criadas por Guarnieri: o dilúvio remete às forças de repressão e os frequentadores do botequim seriam cidadãos acossados. Sobram, então, as relações estabelecidas entre os confinados, que vão se desnudando (alguns literalmente, aliás) ao longo da peça. Ocupam o botequim o casal de proprietários (Márcia e Marcelo Dias), três bebedores contumazes (Xando Graça, impagável, Fabinho D?Lélis e Luciano Moreira), uma animada senhora (Andréa Dantas), dois misteriosos namorados (Dai Bonfim e Vandré Silveira), um sujeito combativo (Rogério Freitas) e outro pacato (Nil Neves). Com atuações corretas, o elenco também executa ao vivo a trilha sonora. Os arranjos originais de Toquinho para as letras de Guarnieri foram substituídos por outros, compostos por Gabriel Moura.

Céu Sobre Chuva ou Botequim (90min). 18 anos. Estreou em 21/3/2013. Centro Cultural Correios (200 lugares). Rua Visconde de Itaboraí, 20, Centro, ☎ 2219-5165. Quinta a domingo, 19h. R$ 20,00. Bilheteria: a partir das 15h (qui. a dom.). Até 5 de maio.

Fonte: VEJA RIO