TEATRO

Espetáculo maluco-beleza

Bette Davis e a Máquina de Coca-Cola se vale do humor para tratar de transtornos psíquicos

Por: Rafael Teixeira - Atualizado em

AVALIAÇÃO ✪✪✪??

Divulgação
(Foto: Redação Veja rio)

Conhecida tanto por suas grandes atuações quanto pela personalidade intensa, a atriz Bette Davis (1908-1989) protagonizou um episódio, no mínimo, tacanho durante as filmagens de O que Terá Acontecido a Baby Jane?. Rival de Joan Crawford (1905-1977), com quem estrelava o filme, ela exigiu uma máquina de Coca-Cola no set, apenas para espezinhar a colega de cena, viúva do presidente da Pepsi. A história serviu de inspiração para o título de um premiado esquete de Jô Bilac, Bette Davis e a Máquina de Coca-Cola, encenado em 2008. Ampliado por Renata Mizrahi a convite do próprio dramaturgo, o texto serve de base para a peça homônima da companhia Teatro de Nós, em cartaz no Teatro Sesi. A direção é de Diego Molina.

Seguindo a tônica da montagem, a escolha do nome não tem uma razão previsível. A história é mencionada apenas como ligação com um fictício distúrbio de Baby Jane, doença que provocaria um comportamento infantil diante de situações de rejeição. Essa é uma das neuroses descritas por Carine Klimeck, César Amorim e Anderson Cunha, dividindo-se entre narradores e personagens em esquetes acelerados. No texto convivem doenças falsas e reais, mas que parecem inventadas de tão absurdas. Do texto verborrágico às atuações vigorosas, passando por cenário e figurinos, tudo incorpora o tom nonsense. Algumas piadas são esticadas até o limite ? às vezes vão um pouco além. Parte do público pode ficar desnorteada, mas quem embarca na proposta se diverte.

Bette Davis e a Máquina de Coca-Cola (60min). 16 anos. Estreou em 9/8/2012. Teatro Sesi (250 lugares). Avenida Graça Aranha, 1, Centro, ☎ 2563-4163. → Quinta a sábado, 19h30. R$ 30,00. Bilheteria: a partir das 12h (qui. a sáb.). TT. Até dia 22.

Fonte: VEJA RIO