DIVERSÃO

Festa a céu aberto

Sem medo da chuva, cariocas celebram aniversários e casórios em parques e praças. As paisagens valem o risco

Por: Sabrina Wurm - Atualizado em

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(Foto: Redação Veja rio)

Em uma cidade de natureza tão exuberante, a concorrência chega a ser desleal. Com essa ideia na cabeça, muitos cariocas vêm descobrindo as vantagens de fazer a festa de aniversário ou casamento ao ar livre, em vez de entupir salões claustrofóbicos, desprovidos de charme e cujo aluguel pode valer uma fortuna, com um monte de gente. Assim, praças, átrios e grandes espaços a céu aberto tornaram-se pontos cobiçados, como o Parque Lage, o Outeiro da Glória e o entorno da Lagoa Rodrigo de Freitas (veja o quadro na pág. ao lado). No Jardim Botânico, a cafeteria fincada em meio à vasta vegetação oferece toda a estrutura necessária para uma celebração infantil: dispõe de mesas e cadeiras, fornece comes e bebes, com serviço de garçom, e tem um parquinho perfeito para a gurizada se esbaldar. No final, cabe aos pais apenas recolher os filhos, apanhar os presentes e ir embora para casa. A procura tem sido tão grande que só há vaga para a segunda quinzena de novembro. Ao saber da demanda, Roberta Pereira marcou a comemoração do primeiro aniversário de seu filho Pedro com cinco meses de antecedência. O encontro aconteceu no penúltimo sábado de agosto e reuniu sessenta pessoas no jardim criado por dom João VI. Ela garante que valeu a pena correr o risco de pegar chuva na hora do Parabéns a Você ou mesmo de pintar um penetra, já que se trata de área aberta ao público. Estava plenamente satisfeita, entre outros motivos, pela interação da garotada com a natureza. ?Não queria aquele falatório ensurdecedor dos bufês infantis?, destaca.

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Fernando Lemos
(Foto: Redação Veja rio)

Cerimônias ao ar livre, em torno de belas paisagens, podem ser inesquecíveis, mas é preciso tomar certas precauções. A primeira delas é se certificar de que há banheiros em quantidade suficiente para o número previsto de convidados. Outra cautela fundamental diz respeito às intempéries. Para uma festa de casamento, solenidade que prima pela formalidade, aconselha-se destinar parte da verba para algo que pode ser providencial: o aluguel de um toldo, que não sai por menos de 15?000 reais. Quando é contratado para organizar uma comemoração desse tipo, o cerimonialista Ricardo Stambowsky atravessa a semana anterior ao evento de olho em sites de previsão do tempo. ?É uma loucura, fico obsessivo?, conta. No mês passado, entrou em pânico. Estava tudo certo para que os noivos Alessandra Monteiro de Carvalho e Bernardo Guerra Duarte fizessem uma caminhada rápida do Outeiro da Glória, local da cerimônia religiosa, até o pátio ao lado da igreja, onde seria a festa. Na antevéspera, porém, veio a notícia temida: a chegada de uma frente fria. Apesar de todas as preces a São Pedro, a chuva fina começou a cair à tarde, o que impôs uma alteração de última hora nos planos: a equipe do cerimonialista teve de arregaçar as mangas e juntar todas as mesas na parte coberta. Não chegou a ser um banho de água fria. Pelo contrário: emoldurada pela paisagem da Baía de Guanabara, a comemoração foi tão animada que durou até a 1 da madrugada.

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(Foto: Redação Veja rio)

Se nas casas de festa é previsível a participação de animadores em altos decibéis e a criançada se diverte com brincadeiras e jogos eletrônicos espalhados pelo salão frequentemente empestado pelo cheiro de fritura, nos espaços ao ar livre a improvisação faz parte do jogo ? uma diversão em si. Como em qualquer lugar, no entanto, há regras a ser seguidas. No Jardim Botânico, por exemplo, não se permitem som alto nem equipe de recreação com microfone. Também está vetada qualquer coisa que produza chamas, como churrasqueiras ou carrocinhas de pipoca. Pode soar como um exagero, mas nem mesmo bolas de festa são bem-vindas ali. ?Estamos em um ambiente de pesquisa. Essas bolas estouram e os micos podem comer os restos de plástico do chão?, explica Carol Bisoni, proprietária do Café Botânica. ?Uma boa ideia é contratar um contador de histórias?, sugere. Há igualmente uma série de orientações a seguir, entre elas a de não alimentar os animais. No Parque Lage, mais um endereço concorrido para os festejos infantis, é proibido pendurar qualquer tipo de objeto decorativo nas plantas. Nem sempre as determinações são respeitadas ao pé da letra. Dia desses, aconteceu por lá um grande evento de uma operadora de celular, abarrotado de gente e com som em volume quase insuportável. Logo ao lado era realizada uma festa infantil, com atrações que incluíam tirolesa improvisada entre as árvores. Seja em lugar fechado, seja num descampado, a falta de bom-senso é um problema sério.

Fonte: VEJA RIO