De braços abertos

Cais do Valongo pode se tornar Patrimônio da Humanidade

Comitê Consultivo já trabalha na elaboração da candidatura

Por:

­­

Cais do Valongo
O Sítio Arqueológico do Cais do Valongo é um dos principais marcos da revitalização da Zona Portuária. (Foto: Clarice Tenório Baretto)

Considerado o maior porto de chegada de escravos do mundo – foram cerca de 500 mil entre 1811 e 1831 – o Cais do Valongo pode vir a se tornar Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco. Um dossiê técnico para reconhecer a candidatura já está em fase de elaboração por um Comitê Consultivo formado, entre outros, por técnicos da Prefeitura do Rio e do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). A primeira reunião do grupo aconteceu na Sala Portinari do Palácio Capanema, no Centro – e coincidentemente teve como pano de fundo painéis do artista que retratam a escravidão. O antigo ancoradouro já é patrimônio cultural da cidade do Rio de Janeiro e foi o primeiro local no mundo a ser reconhecido como patrimônio da memória da diáspora africana, entrando na Rota dos Escravos feita pela Unesco.

O pedido de inclusão obedece a critérios e procedimentos preestabelecidos pelo Comitê do Patrimônio Mundial - fase principal do processo - e acontece no período de comemoração dos 450 anos de fundação da cidade do Rio de Janeiro, em 2015.  Composto também por membros de associações sociais e comunitárias, acadêmicos e pesquisadores, além de representantes das três esferas de governo, o Comitê Consultivo manterá diálogo permanente com a equipe técnica responsável, formada por especialistas na preservação do patrimônio cultural. O documento também apresenta um plano de gestão para depois da nomeação, observando como vai funcionar, na cidade, a proteção, a conservação e a visitação pela população brasileira ou por qualquer cidadão do mundo.

Cais do Valongo
O local durante as obras de escavação, em 2011 (Foto: Clarice Tenório Baretto)

A redescoberta do Cais do Valongo, feita em 2011 durante as obras do Porto Maravilha, é um verdadeiro trabalho de resgate da história da cidade. Foram 168 anos soterrado: o primeiro aterro foi realizado em 1843, quando o ancoradouro original deu lugar ao Cais da Imperatriz, construído para a chegada da esposa de D. Pedro II. No início do século XX, o local foi novamente aterrado, desta vez na reforma urbanística promovida pelo prefeito Pereira Passos. O sítio arqueológico trouxe à tona memórias da escravidão no país e faz parte do Circuito Histórico e Arqueológico da Herança Africana, cujo roteiro inclui ainda o Largo do Depósito, o Jardim Suspenso do Valongo, a Pedra do Sal, o Cemitério dos Pretos Novos e o Centro Cultural José Bonifácio – todos na Zona Portuária da cidade. “A prefeitura sabe que precisa revitalizar a região sem deixar de olhar para a herança daquele espaço. E vem trabalhando desta maneira. Hoje o Porto do Rio, há muito tempo abandonado, tem a felicidade de lutar por um Patrimônio da Humanidade”, ressalta Washington Fajardo, presidente do Instituto Rio Patrimônio Histórico (IRPH).

A presidente do Iphan, Jurema Machado, também está otimista e vê 2016 como o ano de comemoração pela conquista do título. “Agora é a hora de preparar, de fato, a candidatura. Os olhos do mundo estarão voltados para as Olimpíadas e, por que não, para a nomeação do Cais do Valongo?”, acredita.

Fonte: VEJA RIO