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Romeu Domingues criou uma clínica popular para exames de imagem

Médico radiologista criou a iniciativa que atende a população de baixa renda em botafogo

Por: Thaís Meinicke - Atualizado em

Romeu Domingues
"Saí do interior e consegui me realizar como médico e empresário. Só quero retribuir" (Foto: Felipe Fittipaldi)

Natural de Pirapitanga, no interior de Minas Gerais, Romeu Cortês Domingues mudou-se com a família para o Rio ainda criança por desejo do pai, médico, que queria garantir aos filhos uma educação de qualidade. Hoje, aos 51 anos, ele é um radiologista conceituado e proprietário de três clínicas de diagnóstico por imagem. No início dos anos 90, após voltar de um curso sobre ressonância magnética nos Estados Unidos, foi convidado a assumir a área no Hospital Federal dos Servidores do Estado — na época a única unidade pública de saúde da cidade que contava com o caro equipamento para esse tipo de exame. Foi um choque. “A máquina só funcionou durante um ano, enquanto durou a garantia de fábrica para os reparos necessários”, lembra. Frustrado, resolveu ele mesmo fazer algo e criou o projeto Imagem Solidária, que realiza ressonâncias a preços populares em pacientes de baixa renda. Para isso, utilizou equipamentos de suas clínicas e foi atrás do apoio de empresas. “Eu me incomodava em atender apenas um grupo restrito que podia pagar por planos de saúde ou pelo diagnóstico particular”, conta.

Instalada em um espaço em Botafogo cedido pela Associação dos Antigos Alunos dos Padres Jesuítas, do Colégio Santo Inácio, onde Domingues estudou na juventude, a clínica já realizou cerca de 300 000 exames desde 2007, quando foi inaugurada. Para terem acesso ao preço camarada, os pacientes devem comprovar que sua renda é insuficiente e não podem pagar um plano de saúde. Os valores praticados correspondem a cerca de um quarto do preço normal. Hoje, com o projeto já estabelecido, o médico atua apenas como consultor e cede profissionais de sua equipe ao trabalho na clínica popular. Engajado em outras causas sociais, ele atua ainda nos conselhos da Pastoral do Menor, que presta assistência a crianças e adolescentes carentes, e da Orquestra Sinfônica Brasileira, na captação de dinheiro para a manutenção do conjunto. A agenda lotada de compromissos não o aflige. “Sou um felizardo. Saí do interior e consegui me realizar como médico e empresário. Só quero retribuir com um pouco de tudo o que recebi ao longo da vida”, diz.

Fonte: VEJA RIO