Carioca nota dez

Marco Dobal Cucco distribui donativos a moradores de rua

Estudante e empresário é criador do projeto R.U.A.S, que promove rondas noturnas semanais para entregar as doações na Zona Sul

Por: Thais Meinicke

Marco Dobal
(Foto: Felipe Fittipaldi)

Marco Dobal Cucco é um jovem como outros tantos de sua geração. Aos 23 anos, estuda para concluir o curso de jornalismo em uma faculdade particular, gosta de dar um mergulho no mar pela manhã e de jogar uma pelada no fim do dia — rotina típica de um garoto da Zona Sul carioca. Salvo por um detalhe: toda terça, ele faz rondas noturnas para distribuir mantimentos a moradores de rua de quatro bairros: Leblon, Ipanema, Copacabana e Leme. O rapaz é o criador do projeto R.U.A.S., sigla para Ronda Urbana de Amigos Solidários, e, desde setembro de 2014, incluiu essa atividade entre os seus compromissos semanais. “Em abril do ano passado, acompanhei um projeto semelhante no Centro, para um trabalho da faculdade. Fiquei tão emocionado que resolvi fazer o mesmo em outra região”, lembra. No início, Marco saía acompanhado de apenas um amigo, mas o grupo cresceu e por vezes é necessário fazer uma escala entre os voluntários. “Crescemos todos juntos, mas antes eu só saía com eles para me divertir. Conseguimos canalizar essa nossa energia para fazer o bem”, diz o estudante, que às quintas ainda participa das rondas do projeto que lhe serviu de inspiração. 

"Um lanche pode não acabar com a situação de fome deles, mas o importante é o amor que a gente dá"

Para poder dar início à empreitada, o jovem conseguiu que uma padaria na Mangueira fornecesse semanalmente cinquenta pães franceses. A mortadela para os sanduíches e as garrafinhas de plástico para encher com água filtrada vêm dos restaurantes de sua família — seus pais são donos do Luigi’s, em Laranjeiras, e da Osteria Dell’Angolo, em Ipanema, e ele, do Orienthai, em Botafogo. Além disso, graças a doações de pessoas físicas, o grupo entrega cobertores, roupas, calçados e kits de higiene, com escova e pasta de dentes, papel higiênico, sabonete, absorventes e barbeador. Após organizar em sua casa tudo que será entregue, Marco sai de carro com o grupo por volta das 23 horas, para jornadas que costumam terminar de madrugada e beneficiam aproximadamente cinquenta pessoas. Ele garante que o trabalho mudou a sua forma de encarar a vida e olhar a realidade ao seu redor. “Não sou ingênuo. Um lanche pode não acabar com a situação de fome deles, mas o importante é o amor que a gente dá. Alguns passam o dia todo sem falar com ninguém e, quando chegamos, têm como compartilhar suas histórias.”

 

Fonte: VEJA RIO