ANTIDOPING

Conheça as drogas nos exames de Spider e Diaz

Testados positivos, os anabolizantes drostanolona, androsterona e o princípio ativo da maconha THC turbinam força, resistência e concentração

Por: Lais Botelho - Atualizado em

Anderson Silva
Anderson Silva: lutador é pego no exame antidopping após luta em Las Vegas (Foto: Tomás Rangel)

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Há mais de um ano afastado do octógono, devido uma fratura na perna contraída na luta com o americano Chris Weidman em julho de 2013, Anderson Silva tornou-se o foco dos holofotes até o anúncio de sua volta, no sábado (31), em Las Vegas, contra Nick Diaz. E continua sendo, mas não pela vitória. Flagrado no exame antidoping revelado nesta terça (3), o atleta testou positivo para os anabolizantes drostanolona e androsterona. Em um caso inédito no UFC, seu adversário também foi pego, acusado de usar THC, substância obtida pela extração da maconha. A luta pode ficar sem resultado, caso os resultados sejam comprovados.

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Na classe dos esteroides anabolizantes, as drogas apresentadas no exame de Spider chamam atenção pela velocidade com que recuperam a força e regeneram os tecidos, preservando, consequentemente, a integridade das fibras musculares. “No caso da drostanolona, por ser injetável, tem menor probabilidade de lesionar o fígado, além de não se converter em estrogênio, diminuindo  efeitos colaterais como aumento das mamas e retenção hídrica”, diz o endocrinologista Fabiano Serfaty. De acordo com o médico, a androsterona pode ser um subproduto do uso da testosterona ou nandrolona, drogas com alto poder anabolizante. Menos agressiva, a substância encontrada no teste de Diaz não é proibida fora da competição, mas também dá vantagens àqueles que utilizam. “O THC pode alterar a percepção ao estímulo da dor, além de aumentar a autoconfiança em atletas, que em geral fazem uso crônico desta droga”, completa Serfaty.

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Mas apesar de evidências científicas quanto à melhora no processo da regeneração musculoesquelética, entre outros benefícios, os efeitos colaterais podem acertar as contas no fim do jogo. “Hipertrofia da próstata, queda de cabelo e engrossamento da voz são alguns clássicos do uso crônico”, diz o endocrinologista Romualdo Lima, conhecido como Doutor Doc. Ele também ressalta que as substâncias encontradas, caso comprovadas, foram de uso proposital, já que não entram na composição de  remédios comuns de farmácia.

As substâncias estão listadas na relação da World Anti-Doping Agency (WADA), responsável internacional por coordenar a luta contra o doping. Saiba mais sobre elas:

Drostanolona

É um esteroide anabolizante injetável, quimicamente modificado e derivado da dihidrotestosterona (DHT). A dihidrotestosterona é um metabólito biologicamente ativo da testosterona, formado principalmente na próstata, nos folículos capilares e testículos pela ação da enzima 5α-redutase. É cerca de 30 vezes mais potente que a testosterona.

Com o nome comercial de Masteron, tem o objetivo de aumentar o ganho de massa muscular (propriedade anabolizante) e a vantagem de não poder se converter em hormônio feminino (estrogênio), logo não provoca os efeitos colaterais relacionados ao estrogênio, como a ginecomastia (aumento das mamas) e a retenção hídrica, preocupações em atletas de alto rendimento. Como consequência, aumenta a força, explosão, rendimento, além de reduzir a gordura corporal.

Androsterona

É considerado um subproduto da testosterona, com uma potência menor. Também pode ser convertida em DHT, portanto possui características bioquímicas similares a drostanolona, como a não conversão em estrogênio (hormônio feminino). Além disso, quando comparada à testosterona em relação aos efeitos anabólicos (ganho de massa muscular), pode aumentar o processo em até duas vezes, mas a androgenicidade é mantida, ou seja, a capacidade de aumentar as características sexuais masculinas, como o desenvolvimento e o aumento da barba, acne e calvície.

THC

Longe do que a maioria pensa, pode ser sintetizado em laboratório ou ser obtido pela extração da Cannabis, sendo esta a principal substância psicoativa da planta. Diferente das substâncias citadas acima, não apresenta um efeito anabolizante, pelo contrário, o uso crônico pode levar a redução dos níveis de testosterona.

Junto com a cocaína, heroína, entre outras drogas, a maconha (THC) cai atualmente na lista de substâncias e métodos proibidos pela WADA. Associada aos esteroides anabolizantes, pode proporcionar mais força, explosão e velocidade ao atleta. Com o uso crônico, também é possível alterar a percepção ao estímulo da dor, além de aumentar a autoconfiança.

Como os esteroides anabolizantes agem no sistema nervoso central, mais especificamente no sistema límbico, a probabilidade de aumentar a agressividade é grande, assim alguns atletas utilizam a maconha como forma de controlar o comportamento, humor e aguçar a concentração.

 

Fonte: VEJA RIO