Memória da Cidade

Colônia Juliano Moreira recebe mostra sobre Arthur Bispo do Rosário

Exposição Um Canto, Dois Sertões: Bispo do Rosário e os 90 Anos da Colônia Juliano Moreira reúne obras de seu interno mais célebre

Por: Lula Branco Martins

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(Foto: Acervo Pessoal)

Aberta em 1924 como Colônia de Psicopatas-Homens, a Colônia Juliano Moreira mudou de nome onze anos depois em um tributo a um psiquiatra nascido na Bahia que construiu sua carreira no Rio e idealizou o projeto. Ocupando 80 quilômetros quadrados, encostada numa área de preservação ambiental do Parque da Pedra Branca, na Zona Oeste, a instituição, que chegou a ter 5 000 pacientes na época do eletrochoque e da lobotomia, nas últimas três décadas veio mudando radicalmente de foco no que diz respeito aos métodos de tratamento da saúde mental. Hoje em dia, ali nasceu um bairro residencial, habitado não apenas por antigos funcionários e ex-internos -— ainda há equipamentos hospitalares na região, mas iniciativas como exposições e exibição de filmes costumam dar mais vida ao local, que há alguns anos ganhou um museu. É nesse lugar que começa, no sábado da semana que vem (28), a exposição Um Canto, Dois Sertões: Bispo do Rosário e os 90 Anos da Colônia Juliano Moreira. A obra daquele que foi um dos internos mais célebres, morto em 1989, será mostrada desde suas primeiras criações, ainda na sergipana Japaratuba. Além disso, um espaço pretende recriar o ambiente do hospital na visão de Arthur Bispo do Rosário. Sua “cela” também estará aberta ao público e, assim, sensações de clausura, solidão e sofrimento poderão ser vivenciadas pelos visitantes. A mostra, gratuita, vai até outubro.

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O time de futebol de internos (1927) (Foto: Acervo Pessoal)
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(Foto: Infográfico)

 

Fonte: VEJA RIO