Sem malandragem

Cássia Eller, registro para agradar aos fãs da cantora

Dirigido por Paulo Henrique Fontenelle, o documentário trás imagens caseiras, feitas em família, ou das turnês, e também dos registros nos programas de TV

Por: Miguel Barbieri Jr.

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Cássia, Maria Eugênia e o filho delas, Chicão: uma vida também em família (Foto: Acervo pessoal)

Loki — Arnaldo Baptista (2008) foi o primeiro acerto do diretor Paulo Henrique Fontenelle. O segundo ocorre com um novo documentário, Cássia Eller, tributo afetuoso a uma das mais eletrizantes cantoras brasileiras, que morreu, precocemente, em dezembro de 2001, aos 39 anos. O realizador foi atrás de imagens caseiras, feitas em família, ou das turnês, e também dos registros nos programas de TV. À tona vêm as várias faces de Cássia: a mulher tímida diante das câmeras, a intérprete de voz potente e atitudes provocativas no palco, a mãe biológica e dedicada de Chicão, a esposa não muito fiel de Maria Eugênia, sua companheira até a morte. Há também o passo a passo da carreira — dos primórdios num espetáculo de Oswaldo Montenegro ao derradeiro (e espetacular) Acústico MTV, em que mesclou de Edith Piaf (Non, Je Ne Regrette Rien) a Cazuza (Malandragem) e Riachão (Vá Morar com o Diabo). No mais emocionante dos depoimentos, Nando Reis relembra a parceria em hits como O Segundo Sol. Drogas, sexo e rock and roll permeiam a biografia, mas sem muitas polêmicas, justamente para cair no agrado dos fãs. Fontenelle, no entanto, comete um excesso e um deslize: alonga o filme com cenas dispensáveis e, sem nenhuma canção na íntegra, perde a oportunidade de deixar Cássia apenas cantando.  ✪✪✪ Cássia Eller, de Paulo Henrique Fontenelle (Brasil, 2014, 120min). 12 anos. Estreou em 29/1/2015.

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Fonte: VEJA RIO