CINEMA

Cartas sobre a mesa

No drama O Passado, o diretor iraniano Asghar Farhadi traz um engenhoso roteiro cujas revelações surgem aos poucos

Por: Miguel Barbieri Jr.

AVALIAÇÃO ✪✪✪✪

divulgaçÃo
(Foto: Redação Veja rio)

Em À Procura de Elly (2009) e A Separação (2011), o diretor iraniano Asghar Farhadi fazia emergir de roteiros fabulosos situações que pediam a cumplicidade do espectador. Fica impossível também não compartilhar com os personagens do formidável O Passado os desconfortantes momentos que surgem ao longo de duas horas. A trama se inicia quando Marie (Bérénice Bejo, premiada no Festival de Cannes) vai buscar o ex-marido Ahmad (Ali Mosaffa) no aeroporto de Paris. Após quatro anos ausente, ele voltou do Irã para assinar a papelada do divórcio. Marie o hospeda na casa que agora divide com seu namorado, Samir (Tahar Rahim), e o pequeno e rebelde filho dele. Lá ainda moram as duas filhas de Marie, frutos de um casamento anterior. As garotas adoram Ahmad, a quem consideram um pai, e desaprovam o novo relacionamento da mãe. Há outros fatos graves que envolvem os três protagonistas e os coadjuvantes. É uma constante na filmografia do realizador: todos os personagens são importantes e têm algo a dizer. Ele repete também a fórmula de roteiro que se abre aos poucos, com perguntas, surpresas e reviravoltas. Pela primeira vez, Asghar Farhadi filma em francês. Trata-se da força de seu cinema expandindo as fronteiras. Embora conte com um ator iraniano e outro de origem argelina, o filme se afasta das questões islâmicas, presentes em seus trabalhos anteriores. Os temas agora passaram para uma grandeza universal. Direção: Asghar Farhadi (Le Passé, França/Itália/Irã, 2013, 130min). 12 anos. Estreou em 8/5/2014.

Fonte: VEJA RIO