Perdidos na Grécia

Suspense do início ao fim em As Duas Faces de Janeiro

No filme inspirado em livro de Patricia Highsmith, casal de americanos tenta fugir do país europeu

Por: Miguel Barbieri Jr. - Atualizado em

as duas faces de janeiro
Mortensen, Isaac e Kirsten: unidos por um crime (Foto: Divulgação)

AVALIAÇÃO ✪✪✪

Seja pela época, seja pelo clima tenso ou pelos personagens amorais, não é difícil reconhecer uma história de Patricia Highsmith (1921-1995) em As ­Duas Faces de Janeiro, inspirado no livro homônimo da escritora. O suspense se passa em 1962 e flagra um casal de americanos em viagem pela Grécia. Rico e feliz, Chester MacFarland (Viggo Mortensen) é casado com a jovem Colette (Kirsten Dunst), sua segunda esposa. De olho na dupla está Rydal (Oscar Isaac), um guia turístico que engana seus clientes para ganhar um dinheirinho extra. MacFarland, raposa velha, desconfia do malandro, mas consegue ser conquistado por sua simpatia e boa lábia. A trama, porém, toma outro rumo. Em Atenas, um detetive chega à procura de MacFarland, um investidor que saiu dos Estados Unidos deixando seus clientes a ver navios. Por acidente, ele acaba matando o investigador e, por isso, precisa de Rydal para conseguir passaportes falsos e fugir do país. Pelo interior, descortina-se um enredo de chantagens e traições. Chega a surpreender pela qualidade este primeiro longa-metragem de Hossein Amini, iraniano criado na Inglaterra: das pinçadas locações à trilha sonora de Alberto Iglesias, habitual colaborador de Pedro Almodóvar, emulando Bernard Herrmann, parceiro de Hitchcock. Mistérios e reviravoltas são conduzidos de forma pulsante, embora o desfecho não tenha o mesmo teor arrebatador. Direção:  Hossein Amini (The Two Faces of January, Inglaterra/França/EUA, 2014, 96min). 12 anos. Estreou em 18/12/2014.

Fonte: VEJA RIO