DIVERSÃO

O Rio dos anos 60

Na música, no cinema ou na moda, a inspiração sessentinha está em alta. Veja a lista, entregue-se à nostalgia e mate as saudades da década de 60 no Rio

Por: Louise Peres - Atualizado em

Cabelos volumosos, Brigitte Bardot, banana split, delineador gatinha, vaca preta, Andy Wahrol, pop art, Fellini, Elvis, Beatles, cartoon, tudo no mesmo caldeirão. Marcada por uma explosão de manifestações artísticas e culturais, a década de 60 gerou ícones permanentes, que até hoje nos remetem de imediato àquela época em que Audrey Hepburn era modelo máximo de estilo e o quarteto de Liverpool alucinava multidões. Nos últimos tempos, essas referências têm servido de objeto e inspiração para muito do que nos cerca. Para levar você num passeio de volta à musicalidade, às cores e à arte dos sixties, fizemos uma lista de programas e dicas que vão te fazer respirar os anos 60, seja visitando uma exposição, lendo um livro, se vestindo (o estilo sessentinha voltou com tudo!) ou fazendo um lanche. Você vai descobrir porque uma década que, mesmo cinquenta anos depois, continua tão atual por aqui. Divirta-se!

Uma viagem pela obra de Federico Fellini, no IMS

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(Foto: Redação Veja rio)

A partir de domingo (11), um extenso material sobre o cineasta italiano estará exposto no Instituto Moreira Salles, na Gávea. São cartazes, trechos de filmes e fotografias que registram o processo de trabalho de Fellini, com destaque para clássicos da década de 60, como La Dolce Vitta. Uma atração à parte são os desenhos assinados por Fellini, nos quais o diretor, aconselhado por seu analista, registrou seus sonhos ao longo de 22 anos, a partir de 1960. Analisar a tradução do que se passava pela cabeça durante os sonos do mestre, que tanto produziu ao longo daquela década - 8 e meio e Satyricon são de 68 e 69, respectivamente - pode ser um exercício interessante.

Tutto Fellini. Instituto Moreira Salles. Rua Marquês de São Vicente, 476, Gávea, ☎ 3284-7400. → Terça a sexta, 13h às 20h; sábado, domingo e feriados, 11h às 20h. Grátis. Estac. grátis. Visitas guiadas terça a sexta, às 17h. Até 17 de junho. A partir de domingo (11). www.ims.com.br.

Matar a fome no clima sessentinha

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(Foto: Redação Veja rio)

Até na hora de comer a atmosfera splish splash pode se fazer presente. É o caso do Zack?s, em Botafogo, um restaurante temático inspirado em ícones dos anos 60, como a diva Marilyn Monroe e a roqueira Janis Joplin, além de Elvis Presley. Os astros estão nos painéis que decoram as paredes da casa, em imagens do cardápio e dão nomes aos pratos. A loura, estrela do cinema que faleceu precocemente logo no começo da década sessentinha, é a inspiração para o Wrap Marilyn - feito a base de peito de frango, abacaxi grelhado, queijo e pasta de tomate seco no pão folha (R$21,70).

Relembrar hits da época

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(Foto: Redação Veja rio)

Se a ideia é resgatar sabores que marcaram o paladar daqueles que hoje têm seus 40 e poucos anos, a cadeia brasileira de fast food Bob?s tornou a viagem no tempo possível. "Diante da enorme quantidade de mensagens da clientela pedindo a volta de antigos hits do cardápio, decidimos resgatar produtos que foram sucesso e fizeram parte da juventude de uma época", explica Marcello Sarrel, diretor geral da marca. A primeira loja aberta pela rede em 1952, um point de Copacabana naquela época, foi escolhida para sediar a viagem no tempo. Foi transformada na Bob?s original, cheia de painéis gigantes com fotos antigas, e referências para transportar os frequentadores de volta ao passado. O principal combustível? Clássicos como a vaca preta, o sanduíche de pernil com molho e o queijo com banana. O mesmo se repetiu em uma filial em Ipanema. Somente nelas é possível tomar aquela banana split das antigas, degustar as famosas frigideiras - se se sentir nos sixties outra vez.

Bob?s Original. Rua Domingos Ferreira, 236, Copacabana/ Avenida Visconde de Pirajá, 463, Ipanema.

Zack?s. Praia de Botafogo, 228 - loja 101 - Edifício Argentina, Botafogo, tel. 2552-3644.

Andy Warhol, grafismos e quadrinhos nos modelitos

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(Foto: Redação Veja rio)

As modelagens sessentistas foram sendo trazidas de volta às passarelas e, ao que tudo indica, vão dominar as ruas neste outono/inverno. Formas típicas dos anos 60 influenciaram as criações de pelo menos três grifes cariocas para esta estação. Na Cavendish, formas retas mas ainda assim femininas; a Folic se apropriou de elementos gráficos, como as listras, e acessórios lustrosos, característicos da época.

A Dress to foi além e reuniu para o guarda roupa da coleção Pop uma profusão de referências sixties. "Trouxemos para nossas estampas símbolos e ícones da época: o fusquinha, Beatles, Os Jetsons, tudo isso inspirou a coleção", conta Thatiana Amorim, diretora de estilo e sócia da marca, referindo-se ao desenho futurista da Hanna-Barbera que fez sucesso no começo da década de 60. A marca bebeu ainda na fonte dos grafismos e cores fortes de Andy Wahrol e da pop art. Tudo daquele tempo, mas com leitura bem atual, em peças cheias de cor, vibrantes e modernas.

Animale. Rua Lauro Muller, 116, piso 3, loja C-28/29, Rio Sul, Botafogo. http://www.animale.com.br/

Cavendish. Rua Aníbal Mendonça, 111, Ipanema, tel. 2529-8544. www.cavendish.com.br/

Dress To. Rua Visconde de Pirajá, 351, Fórum de Ipanema, Ipanema. http://www.dressto.com.br/

Madeixas a la Bardot e olhos de Twiggy

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(Foto: Redação Veja rio)

As cabeleiras alisadas dos anos 2000 andam paquerando o volume e o ar pretensamente bagunçadinho dos penteados ostentados por Brigitte Bardot nos sixties. "Naquela época, a mulher precisava ter um bom penteado. Não havia técnicas de corte, então era ele que segurava o visual. Era feito aos sábados, e tinha que durar a semana inteira", conta o francês Laurent Cocq, hairstylist da Casa Rysco. A febre começou em Londres, passou por Nova York e desembarcou aqui com força, aparecendo nas passarelas e editoriais de moda, até virar queridinho de debutantes, formandas e até noivas. "Acabei de fazer uma noiva mesclando o volume com tranças rastafári e dreadlocks. O importante é manter o equilíbrio e mesclar com referências atuais", ensina.

Na maquiagem, o poder do delineador dá as caras. No estilo eternizado pela modelo e atriz Twiggy, os olhos carregados no contorno estão com tudo. O mais representativo, no estilo gatinha adotado por Amy Winehouse, é o primeiro passo para aderir, mas o traço bem grosso, que estende a cobertura e pinta até a pálpebra, também ganha adeptas. "Hoje temos ainda a versatilidade das cores. Fica bacana pegar uma sombra colorida, molhar o pincel e brincar, desenhando efeitos bem gráficos e marcados", ensina Edy Clemente, maquiador do Werner. Outra tendência vinda dos anos 60 são os batons escuros. "Vermelho fechado ou uva, com acabamento matte (sem brilho) são boas apostas", diz ele.

Casa Rysco. Rua Maestro Francisco Braga, 442/301 - Bairro Peixoto, tel. 2236-6815

Werner Coiffeur. Rua Voluntários da Pátria, 468/ Loja A - Botafogo, tel. 25370-1177

Rock inglês com batuque carioca

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(Foto: Redação Veja rio)

Desde seu início, um ano atrás, o Bloco do Sargento Pimenta vem colocando todo mundo para sacolejar ao som de Paul, Ringo, George e John, com a pitada brasileira que é seu diferencial. Em ritmo de samba, as canções dos Beatles ganharam as dimensões do Aterro do Flamengo e reuniram mais de 60 000 pessoas por lá no carnaval deste ano(se você não foi, algum amigo ou conhecido seu esteve lá e faz parte dessa estatística). Na sexta (9), tocaram para o Príncipe Harry na festa realizada no Morro da Urca para dar boas vindas ao membro da família real britânica. O toque apimentado dado pelo bloco resgatou e levou o repertório dos garotos de Liverpool para além dos ipods e rádios dos beatlemaníacos, e mesmo quem não é fanático curte o som do grupo carioca. Depois da década de 60, tempos áureos dos Beatles, em algum momento da história do Rio eles pareceram estar tão na moda?

Se quiser conferir o trabalho deles, aguarde: passada a folia, em abril, a trupe promete fazer uma grande festa no Rio, para marcar o retorno do bloco à ativa nos palcos cariocas. Enquanto isso, visite o site: www.blocodosargentopimenta.com.br

Mergulhe nos bastidores da Bonequinha

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(Foto: Redação Veja rio)

Quem é fascinado pelos bastidores de Hollywood vai se deleitar com Quinta Avenida, 5 da manhã: Audrey Hepburn, Bonequinha de Luxo e o surgimento da mulher moderna. O livro, escrito por Sam Wasson, aborda em detalhes o processo de produção deste clássico, que virou ícone dos anos 60, adaptado do livro de Truman Capote e dirigido por Blake Edwards em 1961. Das exigências de Capote (ele queria Marilyn Monroe no papel principal) aos percalços que levaram Audrey Hepburn a ser escalada para o papel da nova-iorquina Holly Golightly, a prosa de Wasson é fácil, divertida e envolvente, daquelas que te prendem até a última linha. Vai ajudar o leitor a entender como Hepburn se tornou um ícone da década de 60, eternizando os pretinhos básicos de Givenchy. "Um pequeno e fascinante livro", publicou o New York Times. Leitura mais que recomendada.

Quinta Avenida, 5 da manhã: Audrey Hepburn, Bonequinha de Luxo e o surgimento da mulher moderna, Sam Wasson. Tradução de José Rubens Siqueira. (Editora Zahar, 2011. R$ 42,00)

Fonte: VEJA RIO