COMIDA

Delivery virtual

Pedir comida pelo telefone é coisa do passado. Seu prato preferido está agora a um clique

Por: Daniela Pessoa - Atualizado em

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(Foto: Redação Veja rio)

Pedir comida pelo telefone pode ser, mais do que um desafio, um teste de paciência. Primeira tentativa: linha ocupada. Segunda: o atendente pede para aguardar na ligação, que acaba caindo. Terceira: qual pizza você queria mesmo? Quanto custa? Refrigerante? É preciso resolver tudo rápido, tem mais gente esperando na linha. Pronto, calabresa, mas depois você descobre que anotaram portuguesa. O que deveria ser simples para quem costuma pedir comida em casa - 59% dos brasileiros, segundo pesquisa realizada este ano pela GS&MD, empresa de consultoria e varejo - acaba ficando complicado. Não à toa, lanchonetes, bares e restaurantes começam a apostar em uma novidade, o delivery virtual.

A pizzaria Bella Fornata, na Barra, tem um sistema de pedidos online funcionando a pleno vapor há três meses. "As pessoas passam horas no computador, e com o delivery virtual não é preciso sair da frente da tela para ir até o telefone ou sequer gastar mais dinheiro ligando do celular. Ninguém precisa lembrar onde anotou o número do estabelecimento, nem colecionar ímãs de geladeira e folhetos com os telefones", diz Maurício Cascardo, dono da pizzaria. Todo o cardápio da casa está disponível online, inclusive a carta de vinhos. A tendência é que os pedidos via Internet ajudem a descongestionar as linhas telefônicas da casa (são apenas duas), conquistando novos clientes. As vendas de um restaurante com delivery virtual aumenta em torno de 15% em seis meses. Em 2012, com a maturidade do sistema, espera-se que este número dobre no mesmo período.

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(Foto: Redação Veja rio)

O quesito praticidade é o grande diferencial do delivery virtual. Bastam alguns cliques para a refeição chegar em casa do jeitinho que você encomendou. Simples assim. "Na Internet, dá para pedir tudo com calma, sem depender da boa vontade de quem está do outro lado da linha. O cardápio está na sua frente, com todos os preços e até fotos, caso o restaurante tenha disponibilizado. Basta clicar no prato para selecionar, escolher a forma de pagamento, e o pedido está feito", explica o empresário Márcio Blak, criador do site Comer na Web, plataforma de delivery virtual utilizada pela Bella Fornata. Através dela, dá até para pedir pelo Facebook. Os pedidos online da lanchonete Polis Sucos e do japonês Bentô, por exemplo, chegam através da rede social.

O Comer na Web, que exigiu investimento de cerca de 300 000 reais, reúne na mesma página o cardápio de diversos restaurantes. É como se fosse uma grande praça de alimentação, só que virtual, onde é possível escolher entre os quitutes de diferentes estabelecimentos e fazer o pedido logo ali, online. A ideia tem se popularizado na Internet, onde existem sites semelhantes, como o iFood e o Restaurante Web, cada um com a sua gama de estabelecimentos à disposição do internauta. No Comer na Web, por exemplo, são mais de 80 restaurantes, bares e lanchonetes na cidade, onde são feitos entre 2 000 e 3 000 pedidos online por mês, em média. "Comida japonesa e pizza são as principais pedidas dos cariocas", revela Blak. Até o final de 2012, o site pretende oferecer 300 opções de cardápio.

Geralmente, os sistemas de delivery virtual funcionam de forma muito parecida. O cliente faz o pedido (ou agenda para quando quiser). Conectado à página, o restaurante recebe a notificação, com direito a alarme sonoro caso a janela esteja minimizada ou não tenha ninguém na frente do computador. Assim que o pedido é acessado, o internauta recebe um aviso de confirmação e previsão de entrega. A solicitação online é então encaminhada ao programa interno de delivery do estabelecimento, onde passa a ser tratado como outro pedido qualquer, entrando na fila de espera e aguardando para sair da casa com um dos motoboys. No caso da McEntrega, do Mc Donald's, as informações são enviadas para o restaurante mais próximo que atende a localidade onde o pedido será entregue. McOferta e McLanche Feliz são os lanches mais pedidos. Só a casquinha não está no cardápio online.

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(Foto: Redação Veja rio)

Na pizzaria Bráz, a participação da Internet no movimento da casa ainda é modesta, tanto no Rio quanto em São Paulo, mas a quantidade de pedidos aumentou com o descongestionamento das linhas telefônicas. "Muitas pessoas ainda se sentem inseguras para comprar pela Internet, porque acham que o pedido vai se perder em um limbo. Mas essa cultura já está mudando em função da popularização de novas mídias como o mobile e os tablets. Todo mundo está online 24 horas por dia, então acaba sendo mais fácil resolver tudo por ali mesmo, até a comida", afirma Régis Pina, gerente de marketing da disputada pizzaria. Hoje, aproximadamente 5 a 6% dos pedidos são feitos via Internet, o que representa algo em torno de 1500 atendimentos online. A meta da casa, a longo prazo, é chegar a 30%.

Outra vantagem é que, na web, muitas vezes tem promoção especial e prêmios de fidelidade. A rede Cafeína, que criou em 2009 seu sistema de delivery virtual, o que aumentou as vendas em 60%, é uma das que aposta em promoções via Internet. "Os restaurantes e lanchonetes estão percebendo que podem otimizar o movimento e as vendas com descontos para quem comprar online", diz Blak. No Senta aí, por exemplo, quem faz o pedido via Internet ganha 15% de desconto. No Nippo Sushi, a refeição sai 20% mais em conta de segunda a quinta-feira, se o pedido for feito online. Ao que parece, todo mundo sai ganhando.

Já experimentou?

Fonte: VEJA RIO