COTIDIANO

Dez mulheres cariocas que fizeram história

Elas deixaram sua marca e são exaltadas até hoje por atitudes de garra, coragem e ousadia. Listamos dez personalidades femininas que nasceram ou viveram no Rio e entraram para a história da cidade

Por: Louise Peres - Atualizado em

O Rio de Janeiro pode se orgulhar de suas mulheres ? que trabalham, educam, estudam, ensinam e, diariamente, contribuem para a construção de uma cidade melhor. Para homenagear a todas elas, VEJA RIO destaca dez figuras que nasceram ou viveram aqui e sintetizam, inegavelmente, a fibra, a coragem e a ousadia da mulher carioca. Atrizes, cantoras, educadoras, esportistas ou compositoras, elas marcaram época, quebraram tabus, venceram o machismo e entraram para a história do país.

CARMEM MIRANDA

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(Foto: Redação Veja rio)

De origem humilde, Maria do Carmo Miranda da Cunha nasceu numa cidadezinha ao norte de Portugal em 1909. Mas mesmo antes de completar um ano de idade já havia desembarcado no Rio com os pais, que vieram tentar a vida no Brasil. Com talento e carisma ímpares, a pequena notável partiu daqui para divulgar os ritmos populares brasileiros, encantando multidões mundo afora com sua música, espontaneidade e exuberância, dignas de uma legítima carioca ? como ela mesma se considerava.

CÁSSIA ELLER

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(Foto: Redação Veja rio)

A morte precoce e repentina calou uma das cantoras mais celebradas da década de 90. Aos 39 anos, Cássia Eller vivia o auge do sucesso. Homossexual assumida, roqueira e desbocada, a carioca fez história na música nacional com sua a voz grave e presença de palco, em shows marcados por performances inspiradas ? como aquela no Rock in Rio 3, em janeiro de 2001, onze meses antes de sua partida.

CECÍLIA MEIRELES

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(Foto: Redação Veja rio)

Tijucana, a poetisa e professora começou a escrever aos nove anos de idade. Além de vasta obra literária, enquadrada na segunda geração modernista da poesia brasileira, deixou importante contribuição como jornalista e educadora ? no Diário de Notícias, fez publicações diárias sobre problemas na educação. Foi ela quem fundou, em 1934, a primeira biblioteca infantil do Brasil, no Rio de Janeiro.

CHIQUINHA GONZAGA

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(Foto: Redação Veja rio)

Ao enfrentar a sociedade patriarcal e lutar por seu direito de viver da música, Chiquinha Gonzaga criou uma profissão inédita para a mulher e marcou a história da cultura brasileira. A maestrina carioca não hesitou em deixar seu primeiro marido quando este a fez escolher entre ele e o piano. Escolheu a música e abandonou o casamento. Curiosidade: foi ela a compositora de Ó Abre-Alas, primeira canção dedicada ao carnaval de que se tem notícia.

DONA IVONE LARA

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(Foto: Redação Veja rio)

Sambista de mão cheia, esta enfermeira aprendeu a tocar cavaquinho e a ouvir samba desde cedo. Recebeu até elogios de Villa-Lobos, marido de sua professora de canto. Ainda jovem, Dona Ivone Lara escrevia sambas assinados por seus primos ? mulheres não eram bem vistas no mundo do carnaval. Rompeu a barreira machista quando, em 1965, ao lado de Silas de Oliveira e Bacalhau, assinou Os Cinco Bailes da História do Rio, para o Império Serrano, e se tornou a primeira mulher a compor um samba-enredo na história.

FERNANDA MONTENEGRO

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(Foto: Redação Veja rio)

Arlette Pinheiro Esteves Torres nasceu no Rio, mais precisamente no bairro de Campinho. Em mais de cinquenta anos de carreira, fez dezenas de filmes, novelas e espetáculos teatrais, desempenhando um importante papel na consolidação do teatro brasileiro moderno. Considerada a grande dama dos palcos, da TV e do cinema nacional, ela rejeita o título, mesmo tendo sido a primeira latino-americana e a única brasileira a ser indicada ao Oscar de melhor atriz.

LEILA DINIZ

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(Foto: Redação Veja rio)

Nascida em Niterói, viveu nas areias cariocas um dos momentos que mais marcaram sua trajetória. Leila Diniz quebrou tabus ao aparecer na praia grávida e usando biquíni, de barriga de fora. Numa época em que a repressão dominava o país, a atriz foi muito criticada. Por levantar as bandeiras do amor livre e da liberdade sexual, Leila se tornou um símbolo da revolução feminina.

MARIA LENK

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(Foto: Redação Veja rio)

Ela mergulhou fundo num ambiente majoritariamente masculino e, já aos dezessete anos, foi a primeira mulher sul-americana a competir em Olimpíadas, nos Jogos de Los Angeles, em 1932. Maria Emma Hulga Lenk Zigler era paulistana, mas fez história nas piscinas cariocas. Em 39, quebrou dois recordes mundiais e individuais ? os de 200m e 400m livre, nas piscinas do Fluminense e do Botafogo, respectivamente. Em 1942, ajudou a fundar a Escola Nacional de Educação Física da Universidade do Brasil, atual UFRJ.

NARA LEÃO

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(Foto: Redação Veja rio)

De origem capixaba, ela chegou ao Rio com um ano de idade. Um dos maiores talentos da mpb, Nara Leão teve participação importante na construção do que hoje conhecemos como bossa nova ? era no apartamento dela que ocorriam as famosas reuniões dos músicos que cunharam o estilo. Ao longo da carreira, ela lançou mais de vinte álbuns e deu voz a algumas das maiores canções da música brasileira, escritas por Tom Jobim, Vinicius de Moraes, Chico Buarque, Carlos Lyra e Baden Powell, entre outros grandes nomes.

PRINCESA ISABEL

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(Foto: Redação Veja rio)

Ao completar 25 anos, a filha de D. Pedro II foi nossa primeira senadora. Mas, é claro, não apenas esse fato torna a monarca brasileira, que foi regente do Brasil em três momentos, uma mulher marcante para a história do país. Isabel Cristina Leopoldina Augusta Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança e Bourbon pôs fim à escravidão quando assinou, em 13 de maio de 1888, a Lei Áurea, transformando os negros em cidadãos livres.

Fonte: VEJA RIO