EDIÇÃO DA SEMANA

Histórias Cariocas

Por: Lula Branco Martins - Atualizado em

Um Rio diferente graças à fotomontagem

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(Foto: Redação Veja rio)

Alguém que olhe rapidamente pode até achar que se trata de uma foto apenas e que, desse modo, o Piscinão de Ramos fica realmente a 500 metros da Catedral. O truque de aproximar duas imagens complementares ou contrastantes faz parte do livro A Terra Vista do Céu, do francês Yann Arthus-Bertrand, recém-lançado pela Casa da Palavra. De modo igual, ele clicou, sempre do alto, outras paisagens e aspectos bem cariocas, a exemplo da multidão de banhistas em Ipanema e do grafismo de casas e barracos da Favela da Rocinha. Na próxima sexta-feira (27), uma exposição sobre o trabalho de Arthus-Bertrand será aberta na Cinelândia. Essa mostra já passou por 110 países e foi visitada por 120 milhões de pessoas. Em tempo: a mais famosa piscina do subúrbio na verdade dista 11 quilômetros da Cúria.

Na medida para noivos neuróticos

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(Foto: Redação Veja rio)

Em tempos de ditadura digital, uma tecnologia à moda antiga vem encantando noivos e noivas cariocas: fotos feitas em câmeras de polaroid, que são reveladas em um minuto, na cara do freguês. É a proposta de Carolina Pires, fotógrafa especializada em registrar casamentos. Em 2011, após quatro anos no ramo, ela percebeu que muitos casais simplesmente não tinham imagens do grande dia no papel, e passou a oferecer o serviço, um plus, em bodas chiquérrimas, realizadas em lugares como o MAM, no Rio, e a Praia Rasa, em Búzios. O objetivo é que o resultado ? do tamanho de um cartão de crédito ? seja curtido na hora. E o melhor: se a nubente achar que não está aparecendo tão linda, dá tempo de ajeitar o véu, a grinalda... e caprichar mais no sorriso.

Horizonte perdido

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(Foto: Redação Veja rio)

Metade da Praia do Diabo, pequeno pedaço de orla entre o Arpoador e Copacabana, fica em área militar e não pode receber banhistas. De alguns meses para cá, além de serem proibidas de pisar suas areias, as pessoas nem mais conseguem vê-las: o Exército está construindo um muro de 2 metros de altura, já avançando para a água, no lugar da tela (corroída pela maresia), que não impedia o desfrute do visual. Há quem ligue a chegada dos tijolos ao incidente, ocorrido em 2010, envolvendo praças do Forte de Copacabana e um casal saído da Parada Gay, quando um rapaz foi baleado. A justificativa dos militares vai na linha do ?reforço de segurança?.

Memória da cidade

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(Foto: Redação Veja rio)

O homem de bigode era quem comandava a Leiteria Brasil, no número 4 da Rua Bento Lisboa, no Catete. Reconheceu o endereço? Pois os antenados já o decoraram como sendo o do mais novo centro cultural da cidade, o Casarão Ameno Resedá, aberto em março. O imóvel, que foi de um clube de economistas e mais recentemente de uma igreja, nos anos 30 tinha como dono Francisco Fidalgo, que ali vendia queijos, manteiga e café. Seu filho, o menino vestido de marinheiro (também Francisco), é pai da bibliotecária Lúcia Fidalgo. Ao saber da reforma da casa, ela remexeu nos álbuns da família e encontrou a foto. A loja do vovô era mesmo gigante: hoje ali ficam a recepção e um estacionamento para trinta carros.

Conchas em curso

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(Foto: Redação Veja rio)

Catar mexilhões é uma arte. Quem trabalha na atividade deve, por exemplo, manter as mãos limpas e as unhas curtas. Existem também técnicas específicas para melhor tirar a areia do canto das conchas, sem desperdiçar o conteúdo comestível do molusco. No Rio, fica na Baía de Sepetiba um dos seus maiores polos extrativos. De lá saem frutos do mar que, depois de limpos e cozidos, servem refinados restaurantes da Zona Sul. A partir de maio, a escola de gastronomia Mise en Place promove naquela colônia um curso para marisqueiros. O objetivo é ensinar a 400 deles todos os mistérios dessa iguaria.

Fonte: VEJA RIO