Memória da cidade

Famosa banca de jornal se transforma na maior livraria digital do Rio

Negócio de família no mercado literário atravessou gerações

Por: Lula Branco Martins

Félix João
Félix João (à esq.) em 1947: a fluência nos idiomas ajudou os negócios na Almirante Barroso, esquina com a Rua México (Foto: Arquivo pessoal)

Por mais de trinta anos, entre a década de 40 e o ano de 1976, brilhou no Centro, mais exatamente na esquina da Avenida Almirante Barroso com a Rua México, a banca de jornal fundada pelo espanhol Félix João Garcia (na foto acima, de 1947, posando ao lado de um de seus sócios, ele é o mais baixo, à esquerda). Lá também trabalhou seu filho, João Carlos Garcia, e uma das características do pequeno negócio de família, mantida até o dia do fechamento, era oferecer revistas e jornais estrangeiros (relembre algumas publicações no quadro ao lado). Aliás, por muito tempo ela foi a única banca da cidade com esse tipo de acervo — reunia títulos sobre arquitetura, decoração e moda, trazendo as “últimas palavras” da Europa, além de literatura americana pop, em romances ligeiros, disponíveis em livros de bolso, geralmente com preços acessíveis. Félix e esposa (sua ajudante na gerência da firma) falavam português, inglês, italiano e espanhol, o que facilitava o trato com importadores e o relacionamento com os clientes. Essa verve empreendedora — trabalhou ainda com importação e exportação de frutas — ele parece ter passado adiante: André Garcia, da terceira geração, hoje é dono da Estante Virtual, plataforma da internet criada em 2005, que também comercializa livros e revistas. Pelas contas do neto de seu Félix, ali a cada três segundos uma publicação é vendida. Há quatro meses, a mais conhecida livraria digital carioca (que está festejando dez anos) passou a disponibilizar lançamentos, além dos sebos que construíram sua fama. 

Muitas línguas na prateleira

Na banca mais completa do Centro, em meados do século XX as revistas nacionais dividiam espaço com títulos de fora

PRINCIPAIS BRASILEIRAS

> O Cruzeiro Foi a maior revista nacional da primeira metade do século passado

> Manchete Teve seu auge nas décadas de 60 e 70, e acabou em 2000

> Casa & Jardim Fundada em 1953, tinha temas como decoração e arquitetura

ALGUMAS ESTRANGEIRAS

> Jours e Paris Match Eram sucesso na afrancesada alta-roda carioca da época 

> Le Monde Illustré Também francesa, tinha desenhos realistas, quase como fotos 

> Time e Life Revistas noticiosas americanas nascidas nos anos 20 e 30

Fonte: VEJA RIO