SUSTENTABILIDADE

O fim do cemitério

Navio-tanque com mais de 100 metros está entre as carcaças removidas de estreito na Baía de Guanabara

Por: Thaís Meinicke - Atualizado em

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(Foto: Redação Veja rio)

Um estratégico braço d?água da Baía de Guanabara, próximo à saída da ponte em Niterói, renova a esperança de em breve deixar o estado de coma em que se encontra há muito tempo. Situado entre a Ilha da Conceição e o bairro de Barreto, o Canal de São Lourenço é o retrato da degradação daquele sistema, arruinado por todo tipo de despejo indesejável. De duas décadas para cá, o estreito ganhou um problema extra: virou um cemitério de embarcações. É fácil avistar por lá uma série de carcaças ? isso sem falar daquelas que estão totalmente submersas. Um mapeamento da Secretaria Estadual de Meio Ambiente registrou a existência de 52 barcos abandonados, que começaram a ser removidos no início do ano. Agora, a operação chega à sua reta final, com a previsão de retirada dos últimos esqueletos de ferro e madeira até outubro. ?Além de serem uma ameaça ambiental, elas prejudicam a pesca e a navegação. Nosso objetivo é garantir o retorno dessas atividades?, diz o secretário estadual de Meio Ambiente, Carlos Minc.

Durante a execução do trabalho vieram à tona algumas surpresas. Um dos veículos recolhidos foi um navio-tanque de 107 metros, largado ali há mais de quinze anos. Outro que chamou atenção foi um rebocador com a sigla U44 cravada no casco, num indicativo de que ele provavelmente integrou a frota da Marinha brasileira. No entanto, a maioria das carcaças é mesmo de pequenos barcos pesqueiros, abandonados após a ocorrência de defeitos mecânicos ou porque a manutenção já não valia a pena para seus proprietários. Todos os destroços removidos são levados para metalúrgicas e empresas de sucata, com vista a reaproveitamento. No momento, a operação passa por sua fase mais delicada: a retirada de quatro barcos totalmente cobertos pelo lodo. Depois de concluída essa etapa, o próximo passo será a dragagem de 100?000 metros cúbicos de material assoreado, o que aumentará a profundidade máxima do canal dos 2 metros atuais para 7 metros, contribuindo para reativar a navegação no local, que é cercado de estaleiros e comunidades pesqueiras. Atualmente, o município de Niterói recebe 35% do pescado do Estado, e a intenção é incrementar o setor. ?Este projeto é um exemplo de como a recuperação ambiental pode ser casada com a recuperação econômica de uma região?, afirma Minc. A Baía de Guanabara respira com a ajuda de aparelhos como guindastes, rebocadores e tratores.

Fonte: VEJA RIO