EDIÇÃO DA SEMANA

Carioca Nota 10: Guilherme Júnior

O professor de artes Guilherme Júnior criou o festival de cinema Curta VK na Vila Kennedy

Por: Bruna Talarico - Atualizado em

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(Foto: Redação Veja rio)

Distante mais de 40 quilômetros da região central da cidade, nas margens da Avenida Brasil, a Vila Kennedy costuma ser lembrada como uma área conflagrada, na qual truculentas operações policiais convivem com embates entre criminosos. Há pouco mais de um ano, no entanto, esse cenário recebeu uma iniciativa que ajuda a desanuviar a rotina violenta. O responsável é Guilherme Júnior, de 32 anos, morador do lugar e professor de artes. Com a ajuda de cinco amigas (Érica Magni, Luana Dias, Debora Dantas, Isabele Aguiar e Isabel Navega), ele organizou um festival de cinema que ajuda a resgatar a autoestima das pessoas que vivem ali. Batizado de Curta VK, o evento anual, que já exibiu para a população filmes como Cinco Vezes Favela ? Agora por Nós Mesmos, coordenado por Cacá Diegues, acaba sendo uma rara opção de lazer e cultura em uma das regiões mais carentes da cidade. "A Vila Kennedy nunca tinha recebido esse tipo de atenção nem sediado algo tão agregador", afirma o organizador.

"Muitas das pessoas que compareceram ao festival da Vila Kennedy tiveram ali seu primeiro contato com o cinema"

Formado pela Escola de Belas Artes da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Guilherme teve a ideia de realizar o festival ao participar de um programa de intercâmbio na cidade do Porto, em Portugal. A proposta é exibir longas e curtas- metragens ao lado de filmes feitos pelos próprios moradores, que entram em competição e são avaliados por profissionais do ramo. O vencedor recebe como prêmio um equipamento de filmagem. "Muitas das crianças e também adultos que compareceram aos nossos eventos na Vila Kennedy tiveram ali seu primeiro contato com o cinema. Com o festival, pudemos perceber quanto iniciativas como essa elevam a autoestima das pessoas", diz Guilherme. O objetivo, agora, é fomentar novas empreitadas que ofereçam cultura gratuita e de qualidade em outras áreas pobres assoladas por altos índices de violência.

Fonte: VEJA RIO