EDIÇÃO DA SEMANA

Carioca Nota 10: Domingos Sávio Teixeira

O bancário Domingos Sávio Teixeira atua há onze anos na recuperação da cobertura vegetal do costão do Pão de Açúcar

Por: Caio Barretto Briso - Atualizado em

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(Foto: Redação Veja rio)

O bancário Domingos Sávio Teixeira, de 51 anos, sempre enxergou no Pão de Açúcar muito mais que um cartão-postal. Natural de Mato Grosso do Sul e carioca por opção desde 1985, ele considera o monólito na entrada da Baía de Guanabara uma espécie de playground, onde pratica uma de suas maiores paixões: o alpinismo. Já em suas primeiras escaladas, percebeu que, além de se divertir por ali, poderia contribuir para a preservação da montanha. Hoje, onze anos depois, dedica-se um dia por semana a cuidar da vegetação que cresce junto à pedra. Uma vez por mês, organiza mutirões com grupos de dez a quinze voluntários que o ajudam na empreitada. ?É um trabalho muito gratificante, que compensa cada minuto que passo ali, fazendo novos amigos e cuidando da conservação de um dos mais importantes símbolos da cidade?, diz o bancário.

?Ver o Pão de Açúcar bem conservado compensa cada minuto que dedicamos a esse trabalho?

Tanta dedicação ao Pão de Açúcar acabou rendendo a Teixeira uma relação bem peculiar com o monumento natural. Os relatos de suas escaladas são registrados em um blog, repleto de histórias curiosas. Ao capinar um trecho na base do morro, por exemplo, ele encontrou onze balas de canhão, hoje guardadas no Museu do Exército. Segundo especialistas, as peças seriam do início do século XVIII. Entre os escritos, há também o registro de adversidades como o incêndio que, em 2010, queimou um terço de toda a área reflorestada nos oito anos anteriores. Havia lá, entre outras espécies, centenas de bromélias. ?Fiquei arrasado, mas não podia desistir. Comecei tudo novamente. Já recuperei muita coisa?, recorda. ?Uma área mais verde atrai pássaros, pequenos animais, toda uma microfauna que traz vida ao lugar. Cria um ambiente único, que ajuda as pessoas a se reconectarem com a natureza.? É justamente a possibilidade de propiciar aos cariocas experiências assim que motiva Teixeira a fazer o que faz.

Fonte: VEJA RIO